Ontem foram revelados os áudios do depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal por participação de um esquema milionário de desvio de dinheiro público, e do doleiro Alberto Youssef, que também participaria do esquema. Segundo Costa, três partidos se beneficiaram do esquema: PT, PMDB e PP.
"Sei que essas informações estão ainda sob sigilo e eu pedi essas
informações, então eu acho muito estranho e estarrecedor que no meio da
campanha eleitoral façam esse tipo de divulgação", disse a presidente em
entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, em Brasília. "É muito
importante que a gente não deixe uma coisa se misturar com a outra.
Agora que não se use isso de forma leviana em momentos eleitorais porque
nós não temos acesso a todas as informações."
Em seu programa de rádio desta sexta-feira no horário eleitoral gratuito,
o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, explorou o escândalo da
Petrobras. A propaganda de Aécio chamou Costa de "ex-presidente" da
estatal, cargo que ele nunca ocupou.
Na entrevista, a presidente afirmou que não se pode acusar as pessoas citadas no depoimento sem provas.
"Nós vamos investigar todas as pessoas. Porque tem uma premissa nisso
tudo. Em toda campanha eleitoral há denúncias, que não se comprovam e
assim que acaba a eleição ninguém se responsabiliza por ela. Não se pode
cometer injustiças. E não se pode ser resiliente com malfeitos, o que
estamos fazendo é conversar com o servidor da Petrobras [Sergio
Machado]. Quem está fazendo isso é ministro Edson Lobão, no sentido de
esclarecer o que há e o que não há. Ninguém pode em sã consciência
acabar com o direito de defesa", disse a presidente.
Segundo o jornal "Folha de S.Paulo", Dilma cogita demitir Machado da presidência da Transpetro,
subsidiária da Petrobras no setor de logística. Machado foi indicado
pelo PMDB e foi citado por Costa em seu depoimento, na quarta-feira (8),
como uma das pessoas que participavam de irregularidades na estatal.
Questionada sobre se o PT participou do esquema, Dilma disse que o caso
será investigado e que, se for comprovado, os responsáveis devem ser
punidos.
"Se o PT errou enquanto pessoas do partido erraram, elas têm de punida. Se alguém errou tem que pagar", declarou Dilma. "Qual é a diferença nossa? Nós investigamos. Eu não varro para baixo do tapete."
A candidata petista afirmou ainda que tomou medidas para que o caso
seja efetivamente investigado. "Eu queria reafirmar que eu tenho
tolerância zero com a corrupção ou com qualquer outro tipo de
irregularidade", afirmou. "Eu tomei medidas para garantir que nem a
Polícia Federal e nem o Ministério Público, no que se refere ao
procurador-geral, tivessem aparelhamento e fossem induzidos nessa ou
naquela direção. Quero lembrar que nem sempre foi assim no Brasil, a
Polícia Federal foi aparelhada, sim, foi dirigida durante algum tempo
por pessoas que têm filiação ao PSDB."
Dilma disse não saber se a
divulgação dos depoimentos de Costa e Youssef podem afetar sua campanha
de alguma forma. "Eu não sei se é esse o interesse de alguns. Lutarei
com unhas e dentes para que o que não seja justo não ocorra", afirmou a
presidente.
Vamilson Macedo 19:02 disse:
ResponderExcluirEstarrecedor é o nível de roubalheira a que chegamos. Estarrecedor é ver a volta da inflação. Estarrecedor é ela estar disputando o segundo turno. Num país onde os cidadãos fossem melhor informados ela já estaria fora da disputa eleitoral.