Operadores políticos de Dilma Rousseff temem que a
deterioração dos índices de inflação e de desemprego potencialize a
manifestação convocada por grupos que se opõem ao governo para o dia 16
de agosto. Nas palavras de um ministro, se esse protesto for nacional e
expressivo, pode passar a “falsa impressão de que a sociedade endossa o
discurso golpista da oposição.” Sem alarde, discute-se como lidar com a
encrenca.
Manifestantes
lotam a avenida Paulista, em São Paulo, em protesto que pede o
impeachment da presidente Dilma Rousseff. Diversas cidades do país
recebem neste domingo (15) manifestações contra o governo Leia mais Jorge Araújo/Folhapress
O ministro foi ouvido pelo blog
na noite passada. Feita sob a condição do anonimato, a declaração é
reveladora da dificuldade do governo para encontrar um tom adequado à
crise. O uso do vocábulo “golpista” ecoa entrevistas de Dilma. Mas não
orna com os fatos.
O que os antagonistas da presidente discutem é a
destituição dela pelas vias legais. Tudo condicionado a eventuais
decisões do TSE e do TCU. De resto, o debate não é exclusivo da
oposição. Envolve setores da coligação governista, incluindo grupos do
próprio PMDB, o partido do vice-presidente Michel Temer.
O que
fragiliza a articulação anti-Dilma é a ausência de povo. Desde que as
ruas voltaram para casa e as panelas pararam de soar, a aversão dos
brasileiros à presidente tornou-se silenciosa. Manifesta-se apenas por
meio das pesquisas de opinião.
No Datafolha mais recente, Dilma
obteve uma taxa de aprovação de irrisórios 10%. No Ibope, apenas 9%. Daí
o receio do governo. Dependendo do tamanho do ronco que o asfalto der
em 16 de agosto, um domingo, os dados frios das sondagens pode ganhar
uma expressão sonora difícil de ignorar.
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