quarta-feira, 15 de julho de 2015

Atingidos por operação, aliados de Dilma prometem troco no Congresso


Painel

 

 

Óleo na frigideira Se a situação do Planaltojá era duríssima no Congresso, a operação Politeia tornou ainda mais frágeis as condições de governabilidade de Dilma Rousseff. Aliados de PTB, PP e PSB, que ainda garantiam votos em projetos prioritários à equipe econômica, foram atingidos pelas buscas e estão nervosos. O PMDB, até aqui livre das diligências, já sabe que será o próximo da lista e promete dar o troco. A confusão é tanta que um policial apelidou a ação de “Politeia desvairada”.



Paternidade A tradicional disputa entre a Polícia Federal e o Ministério Público contaminou até a escolha do nome da operação. O procurador-geral, Rodrigo Janot, queria “Adsumus” (aqui estamos). Prevaleceu a ideia dos federais, uma alusão à cidade de Platão onde a ética se sobrepõe à corrupção.

Madrugou Janot, a propósito, apareceu de surpresa, às 4h da manhã, na reunião de trabalho que organizava detalhes dos mandados de busca. Quem estava presente entendeu o gesto como uma tentativa de marcar posição na liderança do caso.

Autoajuda O procurador ensaiou uma fala motivadora no briefing da madrugada. Citou até Mahatma Gandhi.

Primeira vítima A medida que repatria recursos do exterior patrocinada pela equipe econômica deve ser a primeira vítima da rebelião na base após a execução dos mandados nesta terça.

Corpo no chão A proposta prometia uma injeção de dinheiro no combalido caixa da União. “A Politeia tirou das mãos de Dilma mais de R$ 20 bilhões”, disse um peemedebista, sobre a pouca vontade de aprovar a regra agora.

Dois Poderes Alvo da Lava Jato, Renan Calheiros (PMDB-AL) vai procurar Ricardo Lewandowski para levar ao presidente do Supremo a “indignação” de parlamentares com os rumos da investigação. A principal queixa é não ter acesso à apuração nem saber do que, exatamente, são suspeitos.

Reservado O ex-presidente Lula e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se encontraram nesta terça-feira em Brasília. A conversa foi boa, segundo relatos. O diálogo surtiu efeito. Horas depois, durante almoço com Dilma, Lula reclamou da falta de unidade do governo sobre o debate econômico.

Hora errada No almoço, coube ao presidente do PT, Rui Falcão, defender a redução da meta do superavit. Ouviu de Dilma que não era hora para “criar” essa pauta.

Meta menor Levy tenta empurrar para setembro a revisão da meta, hoje em 1,1% do PIB. A estratégia é convencer a presidente a não reduzi-la neste momento.

Ajudinha Nos cálculos internos, se o percentual for flexibilizado agora, ficaria em torno de 0,6%. Mas, daqui a dois meses, teria mais chance de oscilar entre 0,8% e 0,9%, mais perto, portanto, da meta original.

Entradas… O governo de São Paulo terá uma estrutura maior em Brasília. A “embaixada”, que deve funcionar ao lado da Esplanada, alojará membros da Fazenda, Casa Civil e Procuradoria.

… e bandeiras “Estamos tomando muita bola nas costas no Congresso e nos ministérios”, queixa-se um auxiliar do governador e também presidenciável Geraldo Alckmin, que tem aumentado sua presença na capital.

Deu água Terminou em impasse a reunião para decidir a formação da Executiva do PSDB na capital paulista. O parecer do diretório estadual era favorável ao grupo de Mario Covas Neto, mas a direção adiou a escolha.

Leme A Executiva é importante porque conduzirá as prévias para a escolha do candidato do partido à prefeitura em 2016. Alckmin evita se meter na confusão.

TIROTEIO

A Lava Jato teve seu momento déjà-vu, com a atualização da Elba para o Porsche. Eis a verdadeira ascensão social dos anos Lula.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre os carros de Fernando Collor (PTB-AL) apreendidos ontem e o veículo que lhe custou o cargo em 1992.

CONTRAPONTO

Bom entendedor


Em reunião com senadores nesta terça-feira, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) pedia apoio para votar projetos que ampliam a arrecadação da União, como a medida que repatria recursos depositados no exterior.

Enquanto dizia que as propostas ajudariam a destravar investimentos, foi logo interrompido pelo líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB).

—Ministro, vocês fizeram uma festa, comeram e beberam à vontade, alguns até vomitaram e, agora, o senhor está nos convidando para limpar o salão!

Levy não esboçou reação. Mas saiu do encontro certo de que os textos não seriam votadas no prazo desejado.

SEM COMENTÁRIO...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

POLÍTICA E ECONOMIA