terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Aqui entre nós com Reinaldo Azevedo

Publicado em 1 de dez de 2014
Joice Hasselmann e Reinaldo Azevedo, colunista de VEJA, analisam no 'Aqui entre Nós' mais uma manobra articulada pela presidente Dilma Rousseff que condiciona a liberação de mais recursos para emendas parlamentares à aprovação do decreto que revisa a meta de superávit primário. A votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias está prevista para esta terça-feira no Congresso.

Tveja

Maior mineroduto do mundo começa a funcionar em meio a queixas

Na manhã de 23 de agosto, a lavradora Maria da Consolação da Silva, 63, encontrou dezenas de peixes mortos no córrego atrás de casa. Eram traíras e piabas boiando de barriga para cima no meio de uma água cheia de espuma. 

"Não sei até hoje o que matou os peixes", conta dona Maria. "Só sei que não sobrou nem um lambarizinho nessa água", diz ela, que mora há 20 anos na área e usava o córrego para pescar, lavar roupa e dar água aos animais. 

Segundo o laudo do centro tecnológico Cetec, os peixes morreram de hemorragia por causa da água contaminada com amônia. O governo acredita que soda cáustica tenha sido despejada na água.


A casa de dona Maria da Consolação fica a três quilômetros da barragem de rejeitos da mineradora Anglo American. É lá que são represados resíduos químicos resultantes do beneficiamento do minério de ferro que a Anglo extrai da região. 

A empresa afirma estar investigando o caso e diz que o laudo não é conclusivo. 

A mortandade de peixes é só o mais novo capítulo da história atribulada do maior mineroduto do mundo, o Minas Rio, projeto que o ex-bilionário Eike Batista vendeu à Anglo American em 2008. 

Com cinco anos de atraso e custo US$ 10 bilhões acima do estimado, um dos maiores estouros de orçamento da história da mineração, o mineroduto começou a funcionar no fim de outubro. 

Trata-se de um duto de 529 quilômetros que sai da mina e da planta de beneficiamento de minério, em Conceição do Mato Dentro (MG), passa por 32 cidades e chega ao porto do Açu (RJ), levando minério misturado com água. O primeiro navio, com 80 mil toneladas de minério de ferro, zarpou rumo à China. 

Na esteira do projeto Minas Rio, que inclui mina, mineroduto e porto, problemas se acumulam: casas próximas ao mineroduto tremem e trincam, moradores se queixam da poluição dos rios e eliminação de nascentes, técnicos disseram terem sido achacados para liberar licenças ambientais, muitos contestam a venda de suas propriedades à empresa. 

Para completar, em meio a uma das piores secas que Minas Gerais já viveu, a mina e o mineroduto consomem 2.500 metros cúbicos de água por hora, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 220 mil habitantes. 

"Há uma seca e não temos controles suficientes, essas outorgas para uso da água precisam ser revistas", diz Marcelo Mata Machado, promotor público de Conceição. 

TERREMOTO

O mineroduto passa a cem metros do terreno de Rosemeire Teixeira, 50, na comunidade do Turco. Quando ligam as bombas, tudo na casa vibra. "Parece terremoto: a gente senta na cama e fica tudo tremendo, os pratos batem uns nos outros. Olha esta rachadura aqui", mostra.

No estudo de impacto ambiental (EIA-Rima), a mineradora dizia que "a localização relativa das estações de bombeamento, combinada com o nível de ruído das bombas, não trará incômodos às comunidades". 

Os moradores do Turco não são considerados atingidos pela obra e não têm direito a indenização. 

A Anglo admite que foi detectada vibração no mineroduto, que diz ser "fato incomum", e que "tomará as medidas cabíveis". 

FOLHA

Contribuição para o INSS garante mais que aposentadoria

Profissionais liberais não são obrigados a contribuir para a Previdência Social e podem direcionar o dinheiro para investimentos que vão garantir uma renda mensal na aposentadoria. Mas os fundos de previdência privada substituem as contribuições para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)? 
 
A aposentadoria do INSS, impactada pelo fator previdenciário -índice que reduz o benefício de quem se aposenta cedo-, é pequena, afastando o interesse de parte dos profissionais.

Mas, por outro lado, o instituto oferece outros pagamentos em caso de incapacidade de trabalho que dificilmente são encontrados em planos privados. Neste caso, a contribuição ao INSS poderia funcionar como um "seguro", tanto para quem tem carteira assinada como para os profissionais liberais. 

                         DOENÇA OU ACIDENTE
Um desses "seguros" é o auxílio-doença, benefício pago aos segurados que precisam se afastar do trabalho por mais de 15 dias por motivo de doença ou acidente. 

O valor equivale a 91% do salário de benefício (média dos salários do trabalhador limitada ao teto da Previdência, atualmente em R$ 4.390,24) e é pago enquanto o trabalhador estiver afastado, após análise feita por um perito do INSS. 

Esse auxílio não exige carência mínima de pagamentos. Ou seja, se o autônomo fizer uma contribuição hoje e amanhã se acidentar terá direito ao benefício se ficar afastado do trabalho por mais de duas semanas. 

Se a incapacidade for permanente, o trabalhador passará a receber a aposentadoria por invalidez. Nesse caso, a carência é de um ano e o pagamento é correspondente a 100% do salário de benefício.

Caso o segurado fique incapacitado para a atividade que exercia, mas puder trabalhar em outro ramo, poderá ter o auxílio-acidente, espécie de indenização paga até a sua aposentadoria. O valor equivale a 50% do salário de benefício que deu origem ao auxílio-doença. 

Em caso de morte do trabalhador, os dependentes terão direito à pensão. O benefício é pago ao cônjuge indefinidamente, independentemente de sua idade, número de filhos e tempo de contribuição.

SALÁRIO-MATERNIDADE
Há ainda o salário-maternidade, recebido durante quatro meses a partir do 8º mês de gravidez ou da data do nascimento da criança. Também têm direito ao benefício as mulheres e os homens que adotarem uma criança. 

A carência é de dez meses para contribuintes individuais -não existe esse tipo de restrição para trabalhadores com carteira assinada. 

Há ainda outra diferença entre autônomos e empregados formais. O pagamento a quem tem carteira assinada é limitado ao teto do salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Para autônomos, o limite é o salário de contribuição. 

FOLHA

Governo amplia verba de congressista, mas condiciona à manobra fiscal

O Palácio do Planalto publicou, em uma edição extra do "Diário Oficial da União" de sexta-feira (28), um decreto ampliando os limites para a liberação de verbas indicadas por congressistas no Orçamento da União. O texto, no entanto, condiciona expressamente o novo teto à aprovação por deputados e senadores da manobra fiscal a que o governo recorreu para tentar fechar as contas deste ano. 

Após uma série de derrotas imposta pela própria base aliada, o Congresso Nacional tem sessão marcada para esta terça-feira (2), quando será feita uma nova tentativa de votar o projeto de lei que autoriza o governo a descumprir a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública em 2014, o chamado superavit primário. 

A presidente Dilma Rousseff se reúne no começo da noite desta segunda com líderes da base aliada na Câmara e no Senado. A petista deve fazer um apelo pela aprovação da proposta que é considerada prioridade zero para o Planalto. 

No decreto, o governo eleva de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,032 bilhões a liberação de recursos, com um aumento de R$ 444 milhões para as chamadas emendas individuais. 

Um dos principais capitais eleitorais dos políticos, as chamadas emendas parlamentares são usadas, geralmente, para bancar obras e investimentos nos redutos eleitorais dos congressistas. 

O decreto afirma que a "a distribuição e a utilização do valor da ampliação [...] ficam condicionadas à publicação da lei resultante da aprovação do PLN no 36, de 2014 - CN [número do projeto sobre a manobra fiscal], em tramitação no Congresso Nacional". 

E completa: "não aprovado o PLN de que trata o caput, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Ministério da Fazenda elaborarão novo relatório de receitas e despesas e encaminharão nova proposta de decreto".
 
SEM PRESSÃO
 

O ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) negou que o decreto represente um instrumento de pressão do Planalto com os aliados. 

Ele afirmou que as emendas foram inseridas no decreto porque este ano o governo tem obrigação de liberar esses recursos. 

"É um valor muito pouco, que não passa de 700 mil [reais] por parlamentar, não tem nada a ver com votação do ponto de vista de qualquer atrativo. O ponto de vista central ali é deixar claro que o descontigenciamento geral depende de uma questão objetiva que é o limite do superavit que o governo tem praticado", afirmou Berzoini. 

"Qualquer atitude nesse sentido [de pressão] seria ingenuidade. Nós temos total tranquilidade na relação política com o Congresso", completou. 

MANOBRA

Com as contas no vermelho, o governo enviou ao Congresso um projeto alterando a LDO permitindo ao Executivo descontar dessa espécie de poupança todo o valor gasto no ano com obras do PAC e com as desonerações tributárias. 

Com a proposta do governo, a meta fiscal, hoje de ao menos R$ 81 bilhões, deixa na prática de existir, e o governo fica autorizado até mesmo a fechar o ano com as contas no vermelho. 

Na semana passada, o Planalto assumiu formalmente que não cumprirá a meta de poupar R$ 80,8 bilhões para o abatimento da dívida. A nova meta de superavit é de pouco mais de R$ 10 bilhões. 

O governo prepara medidas de ajuste para conter as despesas nos próximos anos. Serão propostas mudanças nas regras de seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte.

Gasolina e diesel estão mais caros no Brasil que no exterior

O preço da gasolina está entre 20% e 24% mais alto no Brasil do que no exterior. No diesel, a diferença é de cerca de 15%. O cálculo compara o preço praticado no país e no golfo do México, principal referência internacional.

Os brasileiros estão pagando mais que os estrangeiros pelos combustíveis, porque o petróleo desabou no mercado internacional, mas a queda não foi repassada no país.

O governo foi na contramão e, após a reeleição da presidente Dilma, reajustou a gasolina em 3% e o diesel em 5%. O objetivo do reajuste é fortalecer as combalidas finanças da Petrobras.

De 2010 até outubro de 2014, a estatal subsidiou o consumidor brasileiro ao vender gasolina mais barata do que no exterior.

O governo resistia a reajustar a gasolina para não elevar ainda mais a inflação. No auge, a diferença desfavorável à Petrobras chegou a 30%. 


Editoria de Arte/Folhapress

Conforme o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a estatal acumulou perdas de R$ 51,4 bilhões no período pelo custo de oportunidade (o quanto poderia ter ganho se vendesse em outro mercado).

Agora, são os consumidores brasileiros que estão subsidiando a Petrobras. Com a atual diferença de preços, o ganho mensal da estatal é de R$ 607 milhões na gasolina e de R$ 1,059 bilhão no diesel.

É preciso ressaltar, no entanto, que nem tudo vai para a empresa, porque o custo do frete encarece o produto brasileiro em cerca de 10%.
Procurada, a Petrobras não deu entrevista.
 
 VULNERABILIDADE
"
A estatal está ganhando musculatura, mas depois de anos de perdas ainda falta muito", diz Fábio Silveira, diretor de pesquisa da consultoria GO Associados. 

Segundo Adriano Pires, diretor do CBIE, uma desvalorização brusca do real pode anular a vantagem da Petrobras, pois encareceria os combustíveis em moeda local e elevaria o custo da dívida em dólar. 

A queda do preço do petróleo também não favorece os investimentos da Petrobras. Os analistas já têm dúvida sobre qual é o patamar de preços que viabilizaria os altos investimentos no pré-sal. 

Só nos últimos 30 dias, o preço do petróleo tipo Brent, referência para o mercado, caiu 15,7% para US$ 72,05 por barril. Um ano atrás, o barril era cotado a US$ 106,4. 

A queda se acentuou na semana passada, quando a Opep, cartel dos países petroleiros, informou que não vai reduzir a produção. Nesta segunda (1º), o dia foi de recuperar parte das perdas, e os preços subiram 3,4%. 

A derrocada do preço é consequência, sobretudo, da redução do consumo nos EUA com a maior utilização do gás de xisto. Investidores que aplicavam dinheiro em commodities também estão migrando para títulos da dívida americana na expectativa de que os juros subam. 


FOLHA

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Campanha de Dilma explorou a baixaria com profissionalismo




Ernesto Rodrigues - 4.nov.2014/Folhapress
O publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Aécio Neves
O publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Aécio Neves
O publicitário que coordenou a campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência, Paulo Vasconcelos, faz coro às críticas do candidato à estratégia de comunicação adotada pelo PT durante a disputa: "Eu já tinha visto a baixaria acontecer por estupidez, mas nunca havia visto ela ser explorada com profissionalismo", diz. 

Na primeira entrevista após a derrota de Aécio, Vasconcelos avalia a campanha mais acirrada desde a redemocratização. E deixa uma provocação ao marqueteiro da presidente Dilma Rousseff, João Santana, que em 2013 previa a reeleição da petista no primeiro turno dizendo que os adversários protagonizariam uma "antropofagia de anões": "A oposição tem um anão grandão, né? Só três centímetros menor do que a anã dele [risos]."

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Folha - O que foi decisivo para a derrota tucana?
Paulo Vasconcelos- Não consigo ver o resultado como derrota. Aécio tinha 10% na pré-campanha, passou para 20%, e aí a eleição mudou na antevéspera de começar a propaganda na TV. Toda a estratégia, meses de análise, tudo caiu junto com a catástrofe de Eduardo Campos [candidato do PSB que morreu em um acidente de avião]. A ida para o segundo turno se deu em uma grande onda e já havia uma previsão de queda. Ele ainda não era muito conhecido. Largou com votos de quem não queria a Dilma, mas teve pouco tempo para trabalhar um eleitor só dele. Por isso, o resultado foi uma vitória para ele e para a campanha.
 
Os 51 milhões de votos são um patrimônio pessoal do Aécio ou representam um eleitorado que não quer o PT e votaria em qualquer antagonista?
A campanha terminou com o Aécio sendo visto como uma alternativa. Claro que parte desse eleitorado tem mais aversão ao PT do que paixão pelo Aécio, mas hoje essa é uma parcela pequena. Ele passou a ser a porta de esperança para uma insatisfação que estava escondida.


Após a derrota, houve manifestações e algumas pessoas pediram a volta da ditadura. Como vê a associação do Aécio a esses setores?
São duas questões que devem ser separadas. Essa história de volta do regime militar não tem nada a ver com a trajetória do Aécio. Ele é filho da democracia e representa um partido social-democrata. 

Aécio diz que o PT fez a "mais baixa campanha" desde a redemocratização. Como avalia?
Já tinha visto a baixaria acontecer por estupidez, ignorância ou paixão, mas nunca havia visto a baixaria ser explorada com profissionalismo. Eles estimulavam nas redes sociais que o Aécio tinha um comportamento dúbio com mulheres, por exemplo. Depois acontecia uma pergunta no debate e por fim o programa de TV se referia a isso. Existia uma rede que se intercomunicava para tentar dar àquela afirmação uma percepção tangível.
 
Há a avaliação de que a agressividade teve mão dupla. A Petrobras foi muito usada por vocês, assim como a suposta incapacidade da presidente com a economia.
São dois pesos e duas medidas aí. Petrobras não é um assunto construído nas redes sociais, não é mentira. Essa é uma comparação da mentira com a verdade.
 
Mas o que teve mais impacto: a boataria nas redes ou as críticas na TV?
O produto final é que essa campanha [do PT] deseducou o eleitor. Deu oportunidade de as pessoas saírem às ruas com faixa de apologia ao regime militar porque saiu do debate político e entrou na estupidez. E na estupidez cabe tudo. O pai e a mãe daqueles cartazes é a baixaria.
 
E como viu a decisão do PSDB de pedir uma auditoria no resultado das eleições?
Preferia não comentar. O PSDB pode acertar ou errar na tentativa de fazer uma oposição mais aguda.
 
Renato Pereira, que coordenou a propaganda de Aécio antes da eleição, disse sua campanha pregou para convertidos'. Como avaliou isso?
Acho deselegante comentar o trabalho de colegas. Mas digo que se temos 51 milhões de convertidos, é bem legal.
 
Num balanço, então, qual foi o maior erro e o maior acerto da campanha?
O maior acerto foi não ter esmorecido. Eu talvez tenha trabalhado com a melhor equipe que já tive. O maior erro... Não estava no nosso radar ir para o segundo turno. Se falasse ao telefone na quarta-feira antes do domingo da eleição, o Aécio não estava indo para o segundo turno. As pesquisas não nos deram um norte. Os institutos deveriam fazer uma autocrítica para a gente não perder uma ferramenta importante.
 
O que foi determinante para a dupla derrota em Minas?
Desde 2012 existe uma agenda intensa da presidente e dos partidos de oposição para dificultar o caminho do Aécio. Além disso, o Pimentel [Fernando Pimentel, do PT, eleito governador no primeiro turno] não era visto como inimigo do Aécio. Eles protagonizaram uma das jogadas mais interessantes da política recente quando se juntaram para eleger o Márcio Lacerda prefeito [de Belo Horizonte]. Acho ainda que a campanha do Pimenta da Veiga (PSDB) não se preparou para defender o legado.
 
Por que Aécio teve o melhor desempenho da oposição desde 2003?
Numa eleição com tantas idas e vindas, o Aécio foi capaz de liderar. O PSDB nunca defendeu tanto sua história, nunca expôs tanto seu respeito pelo Fernando Henrique Cardoso. Aécio mostrou que tinha lado. Isso provocou nas pessoas um: "Ufa! Posso abrir a janela e dizer que eu gosto disso". O maior legado dele é ter feito as pessoas torcerem, conversarem sobre política.
 
Aécio levou dez dias para assumir que usou o aeroporto de Cláudio. Foi a decisão certa?
Esse assunto veio num momento em que o PSDB não tinha mídia para fazer o enfrentamento. A estratégia foi a possível de ser feita.
 
E como viu João Santana?
Ele ganhou, é o vitorioso. Mas agora a oposição tem um anão grandão, né? Só três centímetros menor do que a anã dele. [risos]
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RAIO-X

PAULO VASCONCELOS
  • AGÊNCIA - Vitória CI
  • CAMPANHAS - Coordenou as campanhas de Aécio Neves ao governo de Minas em 2002 e 2006, e a de Antonio Anastasia em 2010
  • ORIGENS - Natural de Belo Horizonte, Paulo Vasconcelos começou na área de marketing político em 1986 a convite de Aécio Cunha (PFL), pai do senador Aécio Neves. Depois trabalhou na DNA Propaganda. Em 1994, Paulo fundou o embrião da Vitória CI, a Vitória Marketing Político. Coordenou a campanha de Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998

Governadores eleitos do PT articulam a volta da CPMF

Com o consentimento da presidente Dilma Rousseff, governadores petistas recém-eleitos começaram a articular a volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), o extinto tributo cobrado automaticamente a cada transmissão de valores no banco. 

Encampada por Camilo Santana (Ceará), Rui Costa (Bahia) e Welington Dias (Piauí), a proposta será apresentada ao próximo time de governadores do Nordeste num encontro regional no próximo dia 9, na Paraíba.

Os três governadores nordestinos até já submeteram a ideia a Dilma, na noite da última sexta (28), durante encontro da sigla em Fortaleza. 


Sugeriram uma campanha suprapartidária pela CPMF, também conhecida como o imposto do cheque. A mobilização começaria pelo Nordeste. "Queremos partir do Nordeste para outros Estados. Temos que ter a responsabilidade e a coragem de defender a CPMF", diz Santana. 

Dilma, segundo contam, não discordou da articulação, que visa ampliar recursos para a saúde. Mas fez uma ressalva: "A presidente disse que é preciso avaliar a conjuntura política", lembra Costa.
 
DEFENSORES
Dentro do governo, em posições bem próximas a Dilma, há fervorosos defensores da volta da CPMF. Entre eles estão o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o secretário de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. 

No sábado, um dia após Dilma discursar no evento do PT, o presidente do partido, Rui Falcão, também propôs um grande acordo nacional para reforçar a receita da saúde. 

Governadores e prefeitos perderam receita nos últimos anos devido ao fraco crescimento econômico e, ainda, por causa de desonerações que reduziram repasses. Daí o interesse em encontrar novas fontes para financiar a saúde, um dos itens mais custosos do orçamento público. O raciocínio vale para mandatários de todos os partidos. 

Anfitrião do encontro do dia 9, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), defende maior destinação de recursos à saúde. "Estamos sufocados", disse. 

Outro defensor declarado é o tucano Beto Richa, reeleito governador do Paraná. "Preciso consultar o partido. Mas já me manifestei a favor da CPMF", afirma. 

A ideia segundo a qual poderia haver um entendimento suprapartidário sobre o tema é baseada ainda na posição histórica de várias lideranças sobre o assunto. 

No Senado, por exemplo, também há adeptos no próprio PSDB, a principal sigla de oposição. É o caso dos recém-eleitos José Serra, ex-governador de São Paulo, e Antonio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais. O atual governador paulista, Geraldo Alckmin, porém, já divergiu de Serra sobre o assunto.
 
TRIBUTO
A CPMF tem origem no Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), criado em 1993, no governo Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso ministro da Fazenda. Tinha alíquita de 0,25%. Com nova sigla, mudança na destinação do dinheiro e alíquota de 0,38%, durou até 2007, quando o Senado rejeitou sua prorrogação, uma das mais importantes derrotas do governo Lula. 

O tema foi objeto de debate na disputa presidencial deste ano. O PT acusou a rival Marina Silva (PSB) de mentir sobre sua posição em relação ao assunto. Ela gabava-se de ter votado a favor da contribuição. Mas foi contra. 

O temor do governo em assumir já uma campanha aberta é acirrar os ânimos após acalorada eleição. A articulação dos governadores servirá de termômetro.

Em discurso de despedida, Jarbas diz que PT promove 'filme de terror'

Ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fez nesta segunda-feira (1º) seu discurso de despedida do Senado depois de oito anos de mandato. Eleito para assumir uma cadeira na Câmara nos próximos quatro anos, Jarbas fez ataques ao governo Dilma Rousseff e prometeu manter sua postura oposicionista em seu novo mandato –apesar de ser membro de um partido aliado de Dilma. 

O peemedebista disse que os governos do PT "deixaram de lado a ética" e promoveram sucessivos escândalos de corrupção no país, como o mensalão e o caso Petrobras. "O cenário atual está mais para um filme de terror, daquele no qual o monstro mata todos os mocinhos. E o filme ganha uma, duas, três sequências", disse. 

Jarbas afirmou que o cenário de crise econômica "sem precedentes" não vai permitir ao país avançar. Ao criticar os brasileiros que votaram em Dilma, o senador disse que eles escolheram a petista "olhando para trás", uma vez que o novo governo não terá "condições de implantar as mudanças que o Brasil precisa". 

O senador defendeu mudanças no sistema político do país ao relembrar trechos do seu primeiro discurso no Senado depois de empossado, em 2007. O peemedebista disse ser favorável a temas como adoção da fidelidade partidária, financiamento público de campanhas e fim das coligações proporcionais, entre outros. 

Jarbas disse, porém, que o novo governo Dilma não vai implementar a esperada reforma política no país. O peemedebista criticou, em especial, a proposta da presidente de realizar um plebiscito para consultar a população sobre quais mudanças devem ser efetivadas no sistema político. 

"Esse modelo começa justamente tentando esvaziar o poder da democracia representativa da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e, paralelamente, busca coibir a liberdade da imprensa", disse. 

Para Jarbas, o Brasil de hoje é pior do que o deixado pelo ex-presidente Lula, em 2010, o que pode ser comprovado com o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) –que perdeu para Dilma com votos de 51 milhões de brasileiros. 

"Na democracia é assim que deve funcionar: quem ganha vai trabalhar para cumprir o que prometeu, e quem perde vai para a oposição cobrar as promessas feitas e mostrar que era possível fazer diferente. É isso que pretendo fazer na Câmara dos Deputados a partir do dia 1º de fevereiro de 2015, Casa para qual fui eleito com os votos de mais de 227 mil conterrâneos", afirmou. 

Apesar do discurso de despedida nesta segunda, Jarbas tem mandato no Senado até o dia 31 de janeiro. O Congresso entra em recesso no dia 22 de dezembro e só retoma oficialmente suas atividades no dia 1o. de fevereiro.
 
DISSIDÊNCIA
Conhecido por sua dissidência ao PMDB, diante de sua postura de oposição adotada nos últimos anos no Senado, Jarbas disse que não se arrepende de ter rompido com os governos do PT. Mas admitiu que "pagou um preço elevado" por permanecer em um partido aliado do governo, como um de seus "rebeldes". 

"Tenho também a consciência dos obstáculos que enfrentei, do elevado preço que paguei pelo fato de ser dissidente do meu partido, de não comungar das ideias defendidas pelo PT. Porém, não guardo mágoa. Não abriria mão de minhas convicções para estar em sintonia com a prática do "é dando que se recebe", de uma prática que resultou na série de escândalos de corrupção", disse. 

Jarbas rompeu com o governo federal em 2006, pouco antes de assumir seu mandato no Senado. Ao longo de oito anos, fez sucessivos discursos com críticas às gestões de Lula e Dilma. Declarou apoio oficialmente às candidaturas de José Serra (2010) e Aécio Neves (2014) e acompanhou a oposição na maioria das votações na Casa. 

Além de ter governado Pernambuco, também foi prefeito de Recife (PE). Em 2010, disputou novamente o governo, mas acabou derrotado por Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo em agosto deste ano. Em 2012, Jarbas voltou a aliar-se a Campos e, nas eleições de 2012 e deste ano, manifestou apoio ao grupo político do socialista. 

FOLHA

'Os fatos são chocantes. Há uma cleptocracia instalada', diz Gilmar Mendes

Publicado em 1 de dez de 2014
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes conversou exclusivamente com Joice Hasselmann sobre os sucessivos escândalos na maior empresa estatal do país. Avaliou as credenciais de possíveis novos indicados de Dilma Rousseff para a Corte e analisou que, ao final do mandato da presidente, ele será o único membro que não foi escolhido por um governo petista.

Giro Veja

'Deputados querem negociar cargos', diz Lauro Jardim

Publicado em 1 de dez de 2014
A semana começa com nova tentativa de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que autoriza o governo a descumprir a meta fiscal desse ano. O colunista Lauro Jardim fala sobre o motivo da ausência de vários deputados na votação da semana passada: negociação de cargos. Ele diz que essa é a hora dos políticos colocarem a faca no pescoço do governo.

Giro Veja