Lula (Foto: Celso Júnior / AE Ricardo Noblat
Na tarde quente do domingo 5 de junho de 2005, um homem de meia idade e
uma vidente famosa em São Paulo foram admitidos no apartamento do então
presidente Lula, em São Bernardo do Campo. Lula e a vidente
conversaram a sós por vinte minutos. Depois que ela foi embora, Lula
contou ao homem sobre o terremoto que ameaçava desestabilizar o seu
governo e sobre o que faria para tentar sobreviver.
Há três semanas, o noticiário da imprensa girava em torno de um único
assunto: a compra pelo governo de votos de deputados para aprovar
projetos do seu interesse. Feita pelo deputado Roberto Jefferson (RJ),
presidente do PTB, a denúncia ganhara status de escândalo e estava
preste a ser alçada à condição de o maior escândalo de corrupção desde a
chegada do PT ao poder.
Para isso, só faltava Jefferson conceder uma entrevista explicando em
detalhes tudo o que dissera até ali, e acrescentando novas revelações.
Pouco antes da chegada do homem e da vidente ao seu apartamento, Lula
ficara sabendo que já não faltava mais nada. Jefferson falara à
jornalista Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo. E a entrevista seria
publicada no dia seguinte.
Entre outras coisas, Jefferson diria que deputados de partidos aliados
do governo recebiam o que chamou de um "mensalão" de R$ 30 mil pago pelo
tesoureiro do PT Delúbio Soares. Segundo Jefferson, ele alertara a
respeito vários ministros do governo – entre eles, José Dirceu, da Casa
Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda. E em janeiro último, alertara
também o próprio Lula, que chorou.
“A entrevista do Roberto vai virar o país de cabeça para baixo”,
comentou Lula com o amigo que o ouvia em silêncio. “Todo mundo vai achar
que o governo não se sustentará mais de pé e que talvez nem consiga
chegar ao fim. Mas acredite: a montanha vai parir um rato. Pensam que
vão me destruir. Pois vou me reeleger e fazer meu sucessor”.
Lula não contou como imaginava sobreviver. Mas como se falasse sozinho, aduziu em voz baixa: “Vou aproveitar para me livrar de Zé Dirceu e até de Palocci”. De Dirceu, Lula se livraria dali a um mês ao forçá-lo a pedir demissão. Dirceu assumiu seu mandato de deputado federal, mas foi cassado. Acabou condenado a sete anos e 11 meses de prisão. Ficou 11 meses preso.
Lula não contou como imaginava sobreviver. Mas como se falasse sozinho, aduziu em voz baixa: “Vou aproveitar para me livrar de Zé Dirceu e até de Palocci”. De Dirceu, Lula se livraria dali a um mês ao forçá-lo a pedir demissão. Dirceu assumiu seu mandato de deputado federal, mas foi cassado. Acabou condenado a sete anos e 11 meses de prisão. Ficou 11 meses preso.
Foi preso novamente pela Lava-Jato no ano passado e virou réu. Quanto a
Palocci, Lula livrou-se dele em março de 2006 quando o caseiro
Francenildo Costa teve seu sigilo bancário quebrado ilegalmente pelo
governo. Francenildo havia flagrado Palocci uma dezena de vezes em uma
mansão de Brasília frequentada por prostitutas e lobistas.
O mensalão não foi um escândalo, e o petrolão outro. Rodrigo Janot,
Procurador-Geral da República, admitiu na semana passada que os dois não
passam de uma coisa só – um bilionário esquema de corrupção para
sustentar no poder o PT e seus aliados. Lula reelegeu-se, elegeu Dilma e
a reelegeu. Mas Dilma está a poucos dias de cair. E ele, Lula...
A Lava-Jato dispõe de indícios e provas suficientes para prender Lula
por obstrução da Justiça, ocultação de bens em nomes de terceiros e
recebimento de dinheiro por palestras que não fez. Lula só não foi preso
ainda porque o Supremo Tribunal Federal avocou a responsabilidade de
decidir o futuro dele, uma vez que Dilma o havia nomeado ministro. Em
breve, pode mandar prendê-lo. Ou deixar que o juiz Sérgio Moro o faça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
POLÍTICA E ECONOMIA