No ano passado, em junho, escrevi um post no qual alertava que a
forte desaceleração observada de janeiro a maio de 2014 nas despesas
previdenciárias não passava de um truque contábil – leiam o maior truque do mundo: gastos com previdência.
Para chegar a esta conclusão não era preciso muito esforço, mas apenas alguma dose de bom senso e olhar o passado.
Lembro que, na época, muitos analistas começaram a tentar explicar a
razão para a forte desaceleração do gasto da previdência. Uma tentativa
que na época falei que era um esforço sem sentido, pois não havia
evidência de mudanças estruturais na previdência.
Hoje sabemos que a suposta desaceleração dos gastos da previdência
não passou de atrasos de repasses do Tesouro para Caixa Econômica
Federal. Uma estratégia que envolveu também as despesas do Bolsa Família
e do seguro desemprego.
O TCU agora, corretamente, quer explicações. Independente do
relatório técnico ser ou não aprovado pelo plenário do TCU, nada impede
que o Ministério Público da União investigue o caso e eventualmente, se
comprovado que os atrasos foram planejados, e tudo indica que sim, abra
um processo contra os responsáveis.
É impressionante os desmandos, truques e medidas rudimentares do
primeiro governo Dilma. E me assusta o fato de um partido que está a 12
anos no poder não tenha entre seus simpatizantes um único economista com
competência para ser ministro da fazenda.
Ainda bem que existem economistas liberais para salvar os governos do
PT. E se não salvar? Neste caso o governo culpará os economistas
liberais quando, na verdade, os erros resultam de um conjunto de
políticas rudimentares adotadas no Brasil de 2009 a 2014. Esses seis
anos terão conseqüências para as próximas duas décadas e, na metade do
séc XXI, o BNDES ainda estará pagando sua dívida junto ao Tesouro.
‘Petrolão’ não foi
imprevidência, mas rapinagem, diante da qual não há mais clima para
discussão conceitual sobre os modelos de intervenção do Estado na
economia
Entre os economistas prevalece uma
sensação segundo a qual, pelo seu impacto e desdobramentos, a agonia da
Petrobrás domina qualquer outra consideração econômica sobre o ano que
passou e sobre o futuro próximo.
Parece
claro que não temos aqui uma infelicidade, um vazamento de óleo ou um
erro de engenharia, mas a síntese de um naufrágio, bem além da empresa, e
aí está a grande revelação desse ano que termina.
A Petrobrás foi a ponta de lança de uma experiência genética
fracassada, pela qual o governo, com o intuito de confrontar o
neoliberalismo, procurou introduzir no Brasil um cruzamento entre
“capitalismo de estado” tipicamente asiático e “petropopulismo” de corte
venezuelano. O Petrolão é apenas um aspecto especialmente odioso dessa
fanfarronice.
Custo. Exploração do pré-sal não deveria ter exigido tanto da Petrobrás
Fomos todos ingênuos durante os debates que orientaram as
escolhas macro e de modelos para o pré-sal, sobretudo durante a crise de
2008, quando prevaleceu a percepção de que o capitalismo estava
agonizante, que só haveria crescimento nos Brics, onde, segundo se
dizia, a teoria econômica convencional não funcionava.
Para o Brasil e para a Petrobrás em particular, esses ventos
heterodoxos só produziram fracassos. Relativamente ao maior valor que
atingiu, em maio de 2008, passando pela oferta pública global em 2010, a
Petrobrás já perdeu R$ 610 bilhões em valor: nunca houve nada parecido
em matéria de destruição de patrimônio público, e o New York Times
sustenta que foi o maior escândalo de corrupção da História!
Os paralelos com a rocambolesca trajetória de Eike Batista
existem nos números, no setor, nas contradições inerentes ao confronto
entre sonhos e realidades, na confusão entre interesses públicos e
privados, e talvez coisas piores sobre as quais é melhor não falar para
não ser injusto com Eike.
O modelo de exploração do pré-sal não precisava ter onerado
tanto a Petrobrás com gastos de investimento da ordem de US$ 40 bilhões
anuais, cerca de oito vezes a média dos cinco anos anteriores. Para que
obrigá-la a gastar tanto dinheiro e a participar em todos os campos? Na
aparência, a resposta caberia na filosofia estatizante do PT, um tanto
deslocada das realidades financeiras da empresa e do País, mas
justificável. Uma vez revelado o Petrolão, todavia, fica a dúvida sobre
as reais motivações da preferência pelo estatismo.
A seguir, o próprio governo, à semelhança do que fazem nossos
vizinhos bolivarianos, estrangula a geração de caixa da empresa
subsidiando a gasolina, e a Petrobrás, como o Brasil, pôs-se a tomar
empréstimos. A conta mal fechava com o petróleo a US$ 100, mas, de forma
canhestra, o grande debate nacional, conduzido pelo presidente Lula,
não era a racionalidade do arranjo, mas como dividir uma fortuna que
ainda não existia.
Mas a grande revelação do Petrolão não foi imprevidência, mas a
rapinagem, diante da qual não há mais clima para nenhuma discussão
conceitual sobre os “modelos” de intervenção do Estado na economia, e de
exploração do pré-sal em particular. Como discutir requisitos de
conteúdo nacional nos fornecedores depois do que se passou?
Como fomos ingênuos achando que a controvérsia era sobre o
tamanho do Estado, a privatização e suas questões. Uma ilusão completa.
Quanto maior o Estado e mais complexa a regulação, maior a corrupção.
Quanto maior o autoritarismo, e mais viciada a democracia, maior a
importância das máfias, e pior: a corrupção política não é uma falha de
caráter de natureza individual, é crime organizado, por natureza. Seu
fim ultrapassa a vantagem individual, pois seu objeto é o enriquecimento
e o poder do grupo.
As máfias são importantes nos modelos econômicos que se
pretendeu copiar, qual a surpresa de vê-las operando na Petrobrás, o
veículo eleito pelo governo para a nova realidade?
Felizmente, as instituições da democracia, liberdade e
economia de mercado já estão suficientemente estabelecidas no Brasil
para impor resistência ao crescimento de máfias partidárias. Imprensa
livre e judiciário independente foram cruciais no episódio do mensalão,
que lançou luz sobre o problema e assentou as bases para algo muito mais
amplo, o Petrolão. Desta vez, todavia, não haverá mais dúvida sobre
formação de quadrilha.
Entrementes, a situação da empresa alcança contornos ainda
mais dramáticos em vista da queda do preço do petróleo. Diversos
projetos alternativos de extração de petróleo se tornaram inviáveis,
incluindo uma parte relevante da “revolução do xisto” nos EUA, bem como
dos campos do pré-sal. É um rude golpe sobre o petropopulismo mundo
afora, com amplas consequências na Rússia, na Venezuela, e na Petrobrás.
Gigante. A Petrobrás cabe perfeitamente na
definição de “grande demais para quebrar”, de modo que o governo precisa
se virar para tirá-la da encrenca em que a colocou. Parece impossível
reequilibrar financeiramente a empresa nesse novo cenário sem rever o
modelo do pré-sal, repensar o tamanho dos investimentos e a política de
preços. O mundo é outro e a empresa está onerada por obrigações
antieconômicas e atulhada de provisões a fazer pelos erros já cometidos.
As necessidades de caixa, bem como as dificuldades com auditores, podem
agravar a ameaça de insolvência, que terá que ser evitada por aportes
do Tesouro, ou de bancos públicos, cuja dimensão, a essa altura, desafia
prognósticos.
Diante de uma trapalhada deste tamanho, e de tamanha
repercussão simbólica, tudo o mais se relativiza, todo o debate dos
últimos anos sobre estatização e privatização, sobre as “alternativas ao
neoliberalismo” precisa ser revisto, pois estávamos sendo enganados.
*Gustavo Franco é ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos
O paradoxo salta aos olhos. Temos um governo de perfil estatizante,
cioso da sua orientação nacional-desenvolvimentista, mas que logrou a
proeza de arrebentar nossas duas principais empresas estatais. Obra de
raro descortino.
A Petrobras, orgulho nacional, não só perdeu a condição de apresentar um
balanço auditado crível como será forçada a republicar balanços
anteriores, corrigindo as baixas referentes ao pagamento de bilhões de
reais –quem saberá ao certo?– em propinas nos últimos anos (outro
exemplo da máxima, atribuída a Pedro Malan, de que "no Brasil até o
passado é imprevisível").
Já a Eletrobras, vítima da MP 579, de 2012, que antecipou a renovação
das concessões de energia mediante a redução das tarifas, acaba de
admitir que não disporá de recursos para pagar dividendos neste ano.
Além da queda do seu valor de mercado, com ações negociadas abaixo do
valor patrimonial, a Eletrobras teve prejuízo de R$ 2,7 bilhões só no
terceiro trimestre deste ano, o que inviabiliza a remuneração mínima de
6% prometida aos acionistas.
Os caminhos do inferno, é claro, diferem. A ruína da Eletrobras foi
fruto das boas intenções do governo Dilma (o setor elétrico, aliás,
teria sido o tema da dissertação de mestrado da presidente na Unicamp),
ao passo que a devastação da Petrobras resulta, entre outras coisas, da
ação articulada de profissionais: uma quadrilha de empreiteiros,
burocratas, lobistas e dezenas de políticos que conferiu ao lema
getulista –"o petróleo é nosso"– inédito e inadvertido significado.
Mas existe um substrato comum a esses descalabros. Ambos refletem a
deformação patrimonialista do Estado brasileiro –"o capitalismo
politicamente orientado", no dizer de Raymundo Faoro em "Os Donos do
Poder", que aportou por aqui com as caravelas, atravessou cinco séculos
de história e foi alçado a novo patamar no atual governo.
As facetas do patrimonialismo relevantes nestes casos são 1) o
microgerenciamento e a tutela do Estado sobre a atividade econômica,
alterando regras e revendo contratos de forma arbitrária ao sabor de
conveniências circunstanciais e 2) o condomínio do poder calcado na
simbiose promíscua entre público e privado aliado ao loteamento de
órgãos e empresas estatais como forma de cooptação política.
A probabilidade de existir corrupção aumenta à medida que os governos se
envolvem em todos os meandros da economia. A debacle da Eletrobras e o
escândalo da Petrobras chocam pela magnitude, mas estão em perfeita
linha de continuidade com a atual recaída patrimonialista.
O Brasil carece de instituições que mantenham os cidadãos e a economia a
salvo dos abusos, inépcia, venalidade e ambições dos donos do poder.
A direção do PT considera que a reeleição da
presidente Dilma Rousseff é a oportunidade para fazer uma profunda
mudança na organização do Estado, na direção daquilo que o partido chama
de "reformas democrático-populares".
Uma resolução
da sua Comissão Executiva Nacional - que reúne a nata do comando petista
- deixa claro que o partido está convencido de que já pode despir-se da
pele de cordeiro que Lula precisou vestir quando se elegeu pela
primeira vez, em 2002. Naquela ocasião, recorde-se, o ex-metalúrgico -
que em 1989 prometia estatizar tudo e tratar com desprezo os credores
internacionais, aos quais chamava de "agiotas" - mudou o discurso e
passou a prometer o "respeito aos contratos e obrigações".
Passado
o susto da apertadíssima eleição, em que Dilma venceu basicamente
porque sua equipe de marketing levou o "vale-tudo" eleitoral a dimensões
inéditas, o PT quer tomar a dianteira e pautar o novo mandato da
presidente - desta vez na direção de seu antigo projeto de 1989. No
radical programa de governo para a campanha eleitoral daquele ano, o
texto assinado por Lula dizia: "Se me pedissem para resumir numa frase o
sentido do nosso programa, eu diria: reorganizar a sociedade
brasileira, conferindo o papel de direção àqueles que vivem no mundo do
trabalho e da cultura".
As semelhanças daquele programa de
Lula com o adotado pelo atual comando do PT na resolução divulgada nesta
semana são claras. Entre as prioridades escolhidas pelo partido para o
novo mandato de Dilma, os petistas dizem que "é urgente construir
hegemonia na sociedade" e "promover reformas estruturais, com destaque
para a reforma política e a democratização da mídia".
A
"hegemonia" perseguida pelo PT é o poder de determinar o que é a
verdade, o que é certo e o que é errado. Para isso, é necessário
"promover reformas estruturais", especialmente a reforma política - que,
no modelo petista, significa submeter o Estado a organizações
"populares" que respondem ao partido -, e "democratizar a mídia", que é o
outro nome para a censura e a tentativa de propagar o pensamento único.
Assim,
para o atual comando petista, nostálgico dos anos de sua fundação, a
tarefa de "transformar o Brasil" demanda agora uma combinação de ação
institucional, de mobilização social e de "revolução cultural". Para
isso, o partido quer ampliar a importância de áreas como comunicação,
educação, cultura e esporte, "pois as grandes mudanças políticas,
econômicas e sociais precisam criar raízes no tecido mais profundo da
sociedade brasileira". Eis aí a fórmula da hegemonia proposta pelo PT.
Com
esses objetivos em mente, a liderança petista pretende, segundo suas
palavras, "incidir na disputa principal em curso neste início do segundo
mandato", isto é, "as definições sobre os rumos da política econômica".
A pressão pública sobre Dilma - que, recorde-se, só se tornou petista
em 2001 e enfrenta desconfiança dentro do partido desde sempre - é uma
tentativa de forçá-la a abandonar os compromissos políticos do primeiro
mandato, oferecendo-lhe em troca o apoio de sua militância nas ruas.
Nesse
sentido, o aceno à oposição feito por Dilma logo após sua vitória foi
desdenhado explicitamente na resolução petista. Os mais de 50 milhões de
eleitores que votaram em Aécio Neves (PSDB) foram tratados como
simpatizantes do "retrocesso neoliberal" e das "piores práticas
políticas", a saber: "O machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a
intolerância, a nostalgia da ditadura militar".
Aqueles que
ousam se opor ao governo são, segundo os petistas, "apoiados pela
direita, pelo oligopólio da mídia, pelo grande capital e seus aliados
internacionais" e, portanto, não fazem parte do "povo brasileiro". Este,
por sua vez, é somente aquele que vota no PT. Por essa razão, o partido
diz que "precisa honrar a confiança que, mais uma vez, o povo
brasileiro depositou em nós" e anuncia: "Não o decepcionaremos: com a
estrela vermelha no peito e um coração valente, avançaremos em direção a
um Brasil democrático-popular".
Este é o verdadeiro rosto do PT, que nem mesmo a imensa dificuldade para a reeleição de Dilma conseguiu alterar.
29/10/2014 02h00 Para onde quer que se olhe fica claro que o desempenho econômico do Brasil nos últimos quatro anos tem piorado consistentemente, deterioração que dá sinais de ter se agravado a partir do ano passado.
O crescimento médio do país de 2011 a 2014, por exemplo, deve ficar ao redor de 1,6% ao ano, mas cadente, reduzido para quase zero neste ano. Já a inflação média superará 6%, acelerando para 6,5% em 2014, o pior resultado desde 2011.
O deficit externo provavelmente atingirá o equivalente a 3,0% do PIB no período, e também crescente, devendo chegar a 3,7% do PIB no final deste ano.
A dívida bruta do governo, que havia sido reduzida para pouco mais de 50% do PIB em 2010, já se encontra em 60% do PIB, refletindo o descaso com as contas públicas. O superavit primário (livre da contabilidade criativa), que ficara em 2% do PIB entre 2007 e 2010, caiu para menos 1% do PIB ao longo deste mandato presidencial e deve registrar em 2014 o primeiro resultado negativo desde 1997.
Por fim, mesmo quando se trata do emprego, cantado em prosa e verso como o grande mérito do atual governo, a degradação é visível: a criação de vagas formais na economia caiu de 130 mil/mês no mandato anterior para 86 mil/mês no atual.
Da mesma forma, a Pesquisa Mensal do Emprego, que captura também o emprego informal, aponta crescimento médio da ocupação de 0,8% ao ano entre dezembro de 2010 e setembro de 2014 (e ao redor de zero este ano) ante mais de 2,5% ao ano nos quatro anos anteriores.
Fica desses números a imagem de quatro anos tristes, culminando com um desempenho lamentável em 2014. Ainda assim não há a menor indicação de que o governo pretenda alterar os rumos da política econômica. Pelo contrário, a mensagem é que esta sempre esteve certa; se alguém errou, foi a realidade.
Por mais que a anunciada demissão do atual ministro da Fazenda (contra minha vontade, quero deixar claro) possa criar esperanças de uma gestão mais racional da economia, a verdade é que sinaliza muito pouco no sentido de correção de rota.
Mesmo que seja trocado por alguém com mais compostura, o ministro da Fazenda foi pouco menos que a rainha da Inglaterra; nunca houve (nem deve haver) dúvida de que o comando da política econômica se encontra nas mãos da presidente, cujo apreço pela centralização de decisões só é superado por seus persistentes atentados ao vernáculo.
Não chega a ser surpreendente, portanto, que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda já tenha acenado com mais um pacote de estímulo à indústria, afirmando ser possível "esperar por uma economia cada dia melhor".
Na mesma toada, a presidente fala em "ajustes pontuais", como se o problema fosse localizado e pudesse ser resolvido por mais uma rodada de microgerenciamento.
O que se espera, pois, é "mais do mesmo" na forma de tratar a economia. Do lado macro, o mesmo descaso com as contas públicas e a inflação. Mais importante, na perspectiva microeconômica, antecipa-se a persistência de um processo de intervenção governamental sem paralelos desde o governo Geisel.
À luz disso, a promessa de uma "economia cada dia melhor" soa improvável. Pelo contrário, se fizermos as mesmas coisas que fizemos nos últimos quatro anos, há escassas razões para imaginar que o desempenho econômico possa ser muito distinto do observado nesse período.
É atribuída a Einstein a definição de insanidade como fazer as coisas do mesmo modo e esperar que os resultados sejam diferentes. Há sérias dúvidas sobre a autoria da frase, mas não tanto no que tange à sua aplicação para as perspectivas da economia brasileira.
Sem uma mudança de rumos que contemple por um lado a recuperação da estabilidade macroeconômica e, por outro, a busca obsessiva pela produtividade, estaremos condenados à repetição da mediocridade que caracterizou este mandato presidencial e mais uma vez a realidade levará a culpa.
FOLHA>UOL LEOPOLDINA CORRÊA é jornalista com formação em Mídias Digitais pela UFC >>>>Diploma
Todos sabem que a eleição pode ser decidida no debate da próxima
sexta-feira, na Rede Globo. A audiência será recorde e o mau desempenho
de um dos candidatos poderá fazer com que ele perca dois a três por
cento dos votos, o que será fatal nesta eleição tão disputada.
Por isso, depois de ofender a mãe de Aécio dizendo que ela não deu uma
"educação de berço" para o filho, depois de chamar Aécio de "bêbado",
"drogado", "playboyzinho" e "filhinho de papai", depois de mentir de
forma insana sobre a família e o caráter de um político cujo único crime
é querer ser Presidente da República, ontem Lula atacou diretamente a
imprensa. Abaixo, um trecho do artigo escrito hoje em seu blog pelo
jornalista Ricardo Noblat:
Lula foi além, ontem à noite, do limite da irresponsabilidade.
Em comício ao lado de Dilma em Itaquera, distrito da Zona Leste da
capital paulista, ele falou mal da imprensa – até aí nada demais. É
direito dele. E nada tem de original.
Mas a certa altura do seu discurso, ele citou os nomes dos jornalistas
Miriam Leitão, do jornal O Globo, e de William Bonner, apresentador do
Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão.
- Daqui para frente é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na
televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o
(William) Bonner falando mal dela no “Jornal Nacional”, e a gente
falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles - ameaçou Lula.
As cerca de cinco mil pessoas reunidas para escutá-lo foram ao delírio.
Mais tarde, no teatro da Universidade Pontifícia de São Paulo, no
bairro de Perdizes, Lula voltou a criticar a imprensa. E a citar Míriam
Leitão e a Rede Globo.
Não dá para afirmar que ele tenha bebido antes de discursar. Aparentava
estar sóbrio. Dilma e líderes do PT que testemunharam os discursos de
Lula sorriram com o que ele disse. Certamente não pensaram numa coisa – e
se pensaram não deram importância.
A saber: Lula expôs dois jornalistas à ira dos seus seguidores fanáticos.
Com Lula, nada é por acaso. O objetivo é um só: constranger o mediador
do debate, colocando o eleitorado do PT contra ele. Se Dilma for
interrompida porque estourou o tempo, a culpa será de Willian Bonner. Se
Dilma tiver um desempenho pífio, as suas deficiências serão creditadas a
um golpe da Globo e do apresentador, que a deixaram nervosa e
pressionada. A partir de ontem, Bonner está desafiado a provar, sendo
mais duro com Aécio, que não está contra Dilma. Pelo menos este é o
objetivo de Lula, com o seu ataque ao jornalista.
Por trás disso tudo, que não é um episódio, é uma campanha, está a meta
de Lula de implantar o controle social da mídia, a exemplo dos países
que fazem parte do Foro de São Paulo. Destruída a oposição, por uma
máquina de assassinar reputações, o último passo será calar a Imprensa.
Ontem Lula deu nome aos bois. Em várias oportunidades, nos últimos
meses, ao conceder longas entrevistas aos blogs patrocinados pelo
governo, de onde são propagadas as piores calúnias contra Aécio Neves,
já havia feito referências semelhantes.
Lula deixa muito claro onde quer chegar. Infelizmente, se Dilma vencer
estas eleições, alcançará seu intento. As redações são majoritariamente
bolivarianas e apoiarão. Os colunistas que ainda opinam contra o
governo, estes serão dizimados. As empresas de comunicação serão
perseguidas e varridas do mapa. A Venezuela e a Argentina moram ao lado.
Só não enxerga quem não quer.
Enquanto o PT faz uma campanha suja e com ataques pessoais ao
candidato e seu economista principal, Armínio Fraga, Armínio tem a calma
que se espera de um grande economista e continua dando entrevistas
técnicas nas quais explica os grades desafios para a retomada do
crescimento econômico e do progresso social.
Eu nunca conheci um economista tão bom e tão calmo na minha vida. No
debate com o Ministro Mantega na Globo News, se eu estivesse lá, eu
teria reagido a algumas afirmações do Ministro Mantega, educadamente, da
seguinte forma: “Ministro, me perdoe, mas o senhor está equivocado” ou
“Ministro, isto não é verdade”.
Mas Armínio não partiu para o conflito direto porque, na sua carreira
de economista, ele sempre foi acostumado a debater em cima de evidência
empírica, olhar cuidadosamente para teorias, escutar argumentos e fazer
contra argumentos sem confrontar diretamente seus adversários. Ele
chegou em um estágio da vida que não precisa provar absolutamente nada
para ninguém.
Dito isso, vale a pena ler duas entrevistas recentes do Armínio. Uma
delas foi publicada na Revista Isto É Dinheiro recentemente (clique aqui) e a outra hoje no Correio Braziliense (clique aqui). Nas duas entrevistas Armínio fala do ajuste econômico gradual com retomada do crescimento do investimento e do PIB.
Na matéria do correio tem uma passagem especial:
Correio: Como foi o episódio do convite para o senhor integrar o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva?
Armínio: O livro do (ex-ministro
Antonio) Palocci registra muito bem isso. Conversei muito com ele
durante a transição. Dei uma declaração genérica de que ficaria por um
período, algo como seis meses, se fosse necessário. Tive duas excelentes
conversas com o Lula já eleito. Eu estava ali para ajudar e funcionou
bem essa integração.
É claro que reconhecer isso hoje seria impensável. Vamos torcer para
que, no domingo, o Brasil comece uma nova fase de sua história com um
novo governo comprometido com reformas estruturais e que traga de volta
um cenário de maior confiança, crescimento da produtividade e maior
crescimento do PIB com distribuição de renda.
Um outro amigo agora me fez chegar o e-mail que recebeu do Banco
do Nordeste do Brasil. Este está identificado e os jornais podem ligar e
investigar. É sempre a mesma coisa – uso de e-mail institucional para
pedir voto para a presidente. Acho que as pessoas que tomam essa atitute
ou não sabem que estão infringindo a lei ou acham que o partido do
governo pode fazer qualquer coisa para ganhar a eleição. Segue e-mail
abaixo.
De: Maria RONILDA de Oliveira F060496
Enviada em: segunda-feira, 20 de outubro de 2014 13:59Assunto: convite – manifestação COMPARTILHE!! Boa tarde companheiros e companheiras,
Na próxima terça feira, dia 21, faremos uma grande
manifestação na entrada principal do Passaré (Portaria 1) em defesa do
Banco do Nordeste, das estatais e pela reeleição da presidente Dilma
Rouseff. Com faixas, bandeiras e muita gente vestida de vermelho. Aí
seria a oportunidade para fazer uma foto boa, se conseguirmos juntar
gente suficiente.Creio que temos condições de juntar umas 50 pessoas.
A idéia é que os participantes cheguem às 8h e comecem a
abordagem aos carros, entregando adesivos e bandeirinhas. E que fiquem
até pelo menos as 9h, horário que a maioria dos funcionários entra no
Banco. Ao mesmo tempo, teremos dois militantes na entrada dos fundos do
Banco (portaria 3), disponíveis para colar adesivos grandes (painéis
de vidro traseiro) nos carros daqueles que estiverem dispostos. Maria Ronilda de Oliveira
SecretáriaBanco do NordesteSuprintendência
Tel. 85.3299.3065ronilda@bnb.gov.br
A partir de linha subsidiada pelo BNDES,
Banco do Brasil teria concedido crédito a juros mais baixos e
contrariado regras internas
BRASÍLIA - A denúncia de um empréstimo feito pelo Banco do Brasil à
empresa da socialite Val Marchiori, publicada no jornal Folha de S.
Paulo, deu munição para a oposição aumentar o tom das críticas de
aparelhamento dos bancos públicos na reta final da campanha eleitoral. A
cinco dias da votação, o possível favorecimento à empresária – que
ficou conhecida após participar do programa Mulheres Ricas, da TV
Bandeirantes – foi recebido nos bastidores do governo como mais uma ação
na guerrilha eleitoral.
- A preocupação é a exploração disso no programa eleitoral - disse uma fonte do governo.
No Congresso, o PPS pedirá explicações ao Ministério da Fazenda. Quer
que o ministro determine que o BB cancele o empréstimo à “socialite
amiga do PT”. De acordo com reportagem, o banco emprestou R$ 2,7 milhões
para Marchiori a partir de uma linha subsidiada pelo BNDES, o que
contrariaria normas internas dos dois bancos, já que empresária teria
crédito restrito por não apresentar capacidade financeira, além de não
ter pago empréstimo anterior ao BB, ainda segundo a reportagem.
Em nota, Rubens Bueno, líder do PPS, atacou as dificuldades que
empresas pequenas têm para conseguir empréstimos, enquanto "o dinheiro
público (do BNDES) é usado para financiamentos customizados". A
reportagem diz que Val Marchiori, que conseguiu crédito a juros de 4% ao
ano, com prazo de cinco anos para quitar, é amiga do presidente do BB,
Aldemir Bendine.
"A população brasileira deveria ir para a porta de todas as agências
do banco para exigir empréstimos na mesma condição. Duvido que o banco
libere", criticou Bueno, que também pediu punições ao que considera
"escândalo deste governo do PT", e devolução dos recursos emprestados.
De acordo com o jornal, Marchiori tomou o crédito pela Torke
Empreendimentos ao apresentar a pensão alimentícia de seus dois filhos
menores de idade para comprar receita.
O Banco do Brasil divulgou uma nota à imprensa para negar
irregularidades. Segundo a assessoria da instituição financeira, não
houve qualquer "drible" ou violação de normas para concessão de crédito.
No texto, o BB explica que tem poderes para mudar procedimentos para
atender seus clientes.
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“A 'customização' é procedimento comum em inúmeras operações, e seus
critérios são previstos nas normas internas”, diz a nota da instituição.
O
Banco do Brasil esclareceu que a pendência financeira à qual se refere a
reportagem da Folha de S. Paulo é de apenas R$ 963,90 e não está em
nome da empresária, mas de empresa da qual ela era sócia-dirigente em
2008.Segundo o banco, é a fatura de um cartão de crédito empresarial
utilizado normalmente por outro executivo da empresa.
Argumentou ainda que a empresa de Val Malchiori tem registro para
locação e leasing operacional de caminhões e que por isso, poderia
alugar os equipamentos comprados com dinheiro subsidiado à empresa do
irmão. E que os equipamentos funcionavam como garantia do empréstimo e a
dívida tem sido paga em dia.
Para rebater a denúncia de favorecimento, o banco afirmou que a
análise do empréstimo foi dada por três comitês, que envolveram no
mínimo 17 técnicos de carreira, antes do aval do BNDES.
“O Banco do Brasil lamenta que a reportagem tenha lançado mão da
quebra de sigilo comercial, e reafirma seu total compromisso com as boas
práticas da governança corporativa, com as normas de concessão
responsável de empréstimos e com os direitos dos tomadores”, diz a nota à
imprensa.
PPS QUER ANULAÇÃO DO EMPRÉSTIMO
O PPS apresentou nesta terça-feira requerimento na Câmara dos
Deputados para que a Fazenda determine que o Banco do Brasil cancele o
empréstimo.
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Em nota, Rubens Bueno, líder do PPS, atacou as dificuldades que
empresas pequenas têm para conseguir empréstimos, enquanto "o dinheiro
público (do BNDES) é usado para financiamentos customizados".
"A população brasileira deveria ir para a porta de todas as agências
do banco para exigir empréstimos na mesma condição. Duvido que o banco
libere", criticou Bueno, que também pediu punições ao que considera
"escândalo deste governo do PT", e devolução dos R$ 2,7 milhões
emprestados.
O requerimento diz que quer “evitar que esta linha de crédito subsidiada com dinheiro público seja usada de forma equivocada”.
* Dilma: A afilhada rebelde Segue abaixo a minha lista rápida de dez fracassos do governo
Dilma na área econômica. São os únicos fracassos? Não, mas quis fazer
apenas uma lista rápida.
A inflação média acima de 6% ao ano e perto do teto da meta (6,5% ao ano),
em 2014, apesar do atraso no reajuste de preços administrados e do
baixo crescimento. No governo Dilma, a inflação será maior do que nos
quatro anos anteriores (5,7% aa).
O crescimento do PIB teve forte desaceleração.
O Brasil crescerá apenas 0,2% em 2014 e 1,6% ao ano na média nos quatro
anos do governo Dilma, a terceira pior média da história republicana no
Brasil e muito abaixo da média internacional dos últimos quatro anos de
3,5%;
A situação fiscal passou de um
superávit primário de 3% do PIB, em 2011, para “zero” ou negativo,
quando se descontam os truques do lado da receita e da despesa.
Neste ano até agosto, a economia que o Governo Central fez para pagar
juros da divida foi de apenas 0,05% do PIB (R$ 1,5 bilhão) – pior
resultado desde 1991.
Aumentou o desequilíbrio externo:
déficit em conta corrente cresceu em mais de 50% em três anos para 3,5%
do PIB, apesar da queda da taxa de investimento da economia brasileira;
Produtividade estagnada. De
2003 a 2010, segundo a FGV, a produtividade da economia brasileira
cresceu 1,6% ao ano devido as reformas da década de 1990 e do primeiro
governo LULA. Depois das mudanças da política econômica, em 2009, e com
os excessos de intervenção do governo na economia, crescimento da
produtividade total dos fatores nos últimos três anos foi “zero”.
Perda de confiança dos empresários.
De acordo com FGV, nível de confiança dos empresários da indústria,
comércio e serviços é hoje semelhante ao que era no auge da crise
financeira de 2009. Quando o empresário não confia no governo e está
pessimista, ele não investe.
Intensificação do processo de desindustrialização.
Nos últimos três anos, a indústria perdeu participação no PIB (1 ponto
do PIB a cada ano), déficit da manufatura cresceu em mais de US$ 30
bilhões, produção física da indústria ainda é menor do que era em 2010 e
2008, e participação da exportação de manufaturados na pauta de
exportação voltou aos valores da década de 1970;
Queda da taxa de investimento da economia brasileira de 18,9% do PIB no ultimo trimestre de 2010 para 16,5% do PIB no segundo trimestre de 2014;
Forte crescimento da Divida Bruta em 7 pontos do PIB.
Em 2010, a divida bruta do setor público no Brasil era de 53,35% do
PIB. Este ano até agosto, a divida bruta alcançou 60,14% do PIB e a Div
Liquida do Setor Público já cresceu mais de 2 pontos do PIB este ano até
agosto.
Taxa de juros voltaram a subir
e superam os valores do início do governo Dilma. Selic hoje é de 11% ao
ano, maior que a taxa de 10,75% aa no início do governo Dilma.
BRASÍLIA - A eleição para o governo do Distrito Federal tornou-se
um dos principais "cases" de antipetismo no País. O governador
Agnelo Queiroz (PT) disputou a reeleição, mas ficou em terceiro
lugar com 20% dos votos e não avançou ao 2o turno. Os que foram
adiante, Rodrigo Rollemberg (PSB) e Jofran Frejat (PR), rejeitaram
publicamente seu apoio.
Dos nove secretários de Agnelo que disputaram as eleições deste ano,
apenas um teve sucesso, o ex-secretário de Esportes Julio Cesar
(PRB), que se elegeu deputado distrital. Geraldo Magela (PT),
secretário-geral nacional da legenda e ex-secretário de Habitação,
ficou em terceiro lugar na disputa pela vaga de senador do Distrito
Federal, atrás de Reguffe (PDT), o vitorioso, e de Gim Argello (PTB).
Outros derrotados são o ex-secretário Rafael Barbosa (Saúde) e o
deputado distrital Cabo Patrício, que presidiu a Câmara Distrital nos
dois primeiros anos da gestão Agnelo. Ambos tentaram vaga de
deputado federal.
O presidente do diretório local do PT, o deputado federal Policarpo,
que não conseguiu se reeleger, afirma que a onda antipetista atingiu
em cheio Brasília. "Há um trabalho muito forte por parte do setor
mais conservador do Brasil. E a imprensa tem papel nisso, de deputado federal.
O presidente do diretório local do PT, o deputado federal Policarpo,
que não conseguiu se reeleger, afirma que a onda antipetista atingiu
em cheio Brasília. "Há um trabalho muito forte por parte do setor mais conservador do Brasil. E a imprensa tem papel nisso, de
trabalhar a questão da antipolítica, do PT e a questão da corrupção",
diz Policarpo afirma que a classe média de Brasília esteve com o PT até
2002, quando Lula chegou ao poder. Depois disso, diz o deputado, o
partido detectou que as pessoas desse estrato social se afastaram.
"Em 2010, boa parte deles votou na Weslian Roriz. Ganhamos, mas
teve dificuldade", relata.
Ele atribui a mudança de comportamento da classe média
brasiliense, em sua maior parte formada por servidores federais, às
alterações do governo Lula no sistema previdenciário, que impôs
mais restrições às aposentadorias do setor público.
Em geral, quando estou um pouco mais tranquilo e as crianças
dormindo, gosto de ler matérias de jornais de anos atrás para ver erros
de analistas (eu inclusive) e tentar fazer o contra ponto entre o que
esperávamos e o que aconteceu. Não é que me deparei com uma entrevista
do Secretario do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ao jornal Valor
Econômico publicada no dia 2 de julho de 2012.
É interessante lembrar como o secretario enfatizava a necessidade de
manter a responsabilidade fiscal como um meio de garantir juros mais
baixo e taxa de câmbio mais desvalorizada. Ou seja, naquela época, Arno
Augustin falava a mesma linguagem dos economistas que o governo
pejorativamente chama hoje de “ortodoxos” e pessimistas.
1) “…..Estamos de olho em uma mudança
estrutural. Talvez a mais relevante do último período seja a queda dos
juros, dos spreads bancários. Estamos olhando isso também. Aproveitar
este momento [de crise] para sair com uma coisa positiva. Já que há
crise, o que é negativo, vamos, pelo menos, sair dela com taxa de juros
muito mais adequada do que tínhamos no passado. Por isso que o mix
fiscal é tão importante.”
2) “….Da outra vez [na crise de 2008],
as medidas foram muito voltadas para o crédito. Desta vez, nós
cuidamos, desde o início, do fiscal para que o exterior [crédito
externo] não secasse tanto para as empresas brasileiras. Para muitas
empresas, a possibilidade de fazer captações externas é fundamental. Com
a exportação ruim, uma crise na Europa, o corte do financiamento pode
ter efeito dramático. Olhamos muito o fiscal para que o Brasil esteja
forte nesse campo, para que não tenha nenhum fenômeno de dúvidas sobre
nossas empresas. Por isso, é importante o fiscal.”
O que aconteceu no final de 2012? A economia cresceu apenas 1%,
frustrando as expectativas do governo e o crescimento da arrecadação,.
Assim, para fechar as contas naquele ano o governo teve que recorrer a
truques contábeis que, ao invés de manter a credibilidade da política
fiscal, levou a uma descrença generalizada do mercado aqui e lá fora do
real compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. Isso depois
se agravou.
Adicionalmente, em abril de 2013, o Banco Central começou a sua lenta
trajetória de aumento dos juros até o patamar atual de 11% ao ano, taxa
Selic maior do que aquela do início do governo Dilma que era de 10,75%
ao ano. Estamos terminando este governo com o fiscal em frangalhos,
juros altos e uma taxa de câmbio valorizada (temos um déficit em conta
corrente de 3,5% do PIB, ante 2,4% do PIB em 2012).
Ao que parece, justamente devido à questão fiscal, o governo está
terminando com indicadores macroeconômicos muito piores que o seu
início. Abaixo, apenas para refrescar a memória, as manchetes dos
jornais de 4 de janeiro de 2013 sobre o resultado fiscal de 2012. Quem
quiser ler a matéria da Folha de São Paulo do início de janeiro sobre
esse episódio clique aqui e aqui para a matéria do Estado de São Paulo. Detalhe, o Ministério da Saúde adverte que Armínio Fraga não era ministro da fazenda.
Em meio a crise, dirigente do Ipea confirma pedido de exoneração
Ao Blog, o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Herton Ellery Araújo, confirmou por telefone que pediu exoneração do cargo. Na quarta-feira, ele já tinha colocado o cargo à disposição, depois que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada decidiu segurar dados e análises sobre pobreza e desigualdade baseados na Pnad.
"Pedi minha exoneração e já encaminhei o ofício à presidência do Ipea. Eu fiz a minha parte. Tentei divulgar o estudo. Mas não consegui, porque havia uma decisão de colegiado da diretoria. Acho a situação esquisita. Imagine se o IBGE vai deixar de divulgar o resultado do PIB porque estamos em período eleitoral?", disse Herton Araújo. "Fiz tudo o que estava a meu alcance. Acho que as pessoas estão com medo", ressaltou.
O argumento oficial do Ipea é de que a Lei Eleitoral impede a divulgação dessas informações. O desconforto do diretor Herton Ellery foi externado pessoalmente ao presidente do Ipea, Sergei Suarez Dillon Soares, e até mesmo ao ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.
Na semana passada, vieram à tona dados do Iets, um instituto privado, que mostraram que, pela primeira vez em 10 anos, a miséria parou de cair no país. O cálculo foi feito com base em dados da Pnad. O Ipea, que realiza estudo semelhante, não divulgou suas conclusões.
Amigos, colegas e Maçons do Brasil, repasso e informo que já são muitas lojas maçônicas se manifestando contra a situação atual do país.
Se for repassar, delete o último remetente, e remeta via CCO. Abcs.’.
MANIFESTO DA MAÇONARIA
Vivemos um dos momentos mais difíceis de nossa história.
O povo está sendo mantido na ignorância e sustentado por um esquema que alimenta com migalhas a miséria gerada por essa mesma ignorância. A tirania mudou sua face.
Já não encontramos os tiranos do passado que, com sua brutalidade, aniquilavam as cabeças pensantes, cortando o pescoço.
Os tiranos de hoje saqueiam a Pátria e degolam as cabeças de outra forma.
A tirania se mostra pela corrupção que impera em todos os níveis.
Encontramos mais viva do que nunca as palavras do Imperador Romano Vespasiano, que na construção do Grande Coliseu disse:“DAI PÃO E CIRCO PARA O POVO”.
Esse grande circo acontece todos os dias diante de nossos olhos, especialmente sob a influência da televisão, que dá ao povo essa fartura de “pão” e de “circo”.
Quando pensamos que a fartura acaba, surgem mais opções.
Agora vemos a Pátria sendo saqueada para a construção de monumentais estádios de futebol, atualmente chamados de arenas, nos moldes do que era o Coliseu, uma arena.
Enquanto isso os hospitais estão falidos, arruinados, caindo aos pedaços.
Brasileiros morrem nas filas e nos corredores desses hospitais; já outros filhos da Pátria morrem pelas mãos de bandidos inescrupulosos que se sentem impunes diante de um Estado inoperante, ineficiente e absolutamente corrompido.
Saúde não existe, educação não há, segurança, muito menos.
Porém, a construção dos “circos” continua!
Mas o pão e o circo também vêm dos “Big Brothers”, das “Fazendas”, das novelas que de tudo mostram, menos os verdadeiros valores e virtudes pessoais.
Quanto mais circo, mais pão ao povo.
E o mais triste é que o povo, mantido na ignorância, é disso que mais gosta.
Nas tardes, manhãs e noites, não faltam essas opções de “lazer”.
O Coliseu está entre nós.
O circo está entre nós.
Já o pão, esse vem do bolsa isto, do bolsa aquilo, mantendo o povo dependente do esquema, subtraindo-lhe a dignidade e a capacidade de conquistar melhores condições de vida com base em suas qualidades, em seus méritos, em suas virtudes.
Agora, o circo se arma em torno do absurdo que se coloca à população de que o problema de saúde é culpa dos médicos.
Iludem e enganam o povo, pois fazem cair no esquecimento o fato de que o problema de saúde no Brasil é estrutural, pois o cidadão peregrina sem encontrar um lugar digno, nem mesmo para morrer.
Então, absurdamente, em desrespeito aos filhos da Pátria, são capazes de abrir as portas para profissionais estrangeiros, alguns poucos não cubanos.
Os tiranos têm a audácia de repassar R$ 40.000.000,00 mensais que são sangrados dos cofres públicos para sustentar um outro governo falido e também tirano, o cubano; um dinheiro sem controle e sem fiscalização.
Os pobres profissionais que de lá vêm, não têm culpa.
É um povo sem liberdade, sem direito de expressão, escravo da tirania.
Esses médicos recebem migalhas daquele governo.
Mal conseguem sustentar a si e a seus familiares.
Os R$ 40.000.000,00 que serão mensalmente enviados para Cuba solucionariam o problema de inúmeros pequenos hospitais pelo interior deste País.
Mas não é a isto que ele servirá.
Nós estamos a financiar um trabalho explorado, escravizado, de profissionais que não têm asseguradas as mínimas condições de dignidade de pessoa humana, porque simplesmente não são homens livres.
E nós, brasileiros, devemos nos envergonhar de tudo isto, porque estamos sendo responsáveis e coniventes por sustentar todo esse esquema, todos esses vícios, comportando-nos de maneira absolutamente inerte.
Esses governantes, que tanto criticam o trabalho escravo, também não esclarecem à população o fato de um médico brasileiro receber o mísero valor de R$ 2,00 por uma consulta pelo SUS.
Do valor global anual que recebem, ainda é descontado o Imposto de Renda, através de uma escorchante tributação sobre o serviço prestado, que pode chegar ao percentual de 27,5%.
Em atitude oposta, remuneram aqueles que não são filhos da Pátria, os estrangeiros, com o valor de R$ 10.000,00 mensais por profissional, cabos eleitorais desses governantes.
Profissionais da saúde no Brasil, servidores públicos de carreira, à beira da aposentadoria, com dedicação de uma vida inteira, receberão quando da aposentadoria metade do valor pago ao estrangeiro.
Não podemos aceitar a armação desse circo, em cujo picadeiro o povo brasileiro é o palhaço!
A Maçonaria foi a grande responsável por movimentos históricos e por gritos de liberdade em defesa da dignidade do homem.
Foi por Maçons que se deu o grito de Independência do Brasil, da Proclamação da República, da Abolição da Escravatura.
Foi por Maçons que se deu o brado da Revolução Farroupilha.
E o que está fazendo a Maçonaria de hoje ao ver o circo armado, com a distribuição de um pão arruinado pelo vício que sustenta essa miséria intelectual?
Não podemos ficar calados e inertes!
A Maçonaria, guardiã da liberdade, da igualdade e da fraternidade, valores que devem imperar entre todos os povos, precisa reagir, precisa revitalizar seu grito, seu brado para a libertação do povo.
Esse é o nosso dever, pois do contrário não passaremos de semente estéril, jogada na terra apenas para apodrecer e não para germinar.
A Loja Maçônica Acácia das Neves incita a todos os Irmãos: para que desencadeemos um movimento de mudança, de inconformismo, fazendo ecoar de forma organizada, a todas as Lojas e os Maçons desta Pátria, o nosso dever de cumprir e fazer cumprir a nossa missão de levantar Templos à virtude e de cavar masmorras aos vícios.
Assunto: CARTA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA DAS NEVES Nº 22 Prioridade: Alta
Caros Irmãos, concordando com as palavras desta manifestação da Loja Acácia das Neves de São Joaquim, recomendamos a leitura e a divulgação entre os Irmãos e principalmente entre nossos contatos no mundo, mesmo os que não são Maçons.
Fraternalmente,
Alaor Francisco Tissot Grão-Mestre - GOSC
ESTA MENSAGEM ESTÁ ABERTA A TODOS OS BRASILEIROS, POIS É CLARA E VERDADEIRA.
CARTA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA DAS NEVES Nº 22
ORIENTE DE SÃO JOAQUIM – FILIADA AO GOSC DIVULGUE !
Há posições ideológicas em favor de ambos os concorrentes, mas muitos votos são dos que temem perder conquistas
Em 1991, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, venceu a Guerra do Golfo e resgatou a autoestima dos americanos após a dolorosa derrota no Vietnã. Assim, era o favorito absoluto nas eleições de 1992 ao enfrentar o desconhecido governador de Arkansas, Bill Clinton. O marqueteiro de Clinton, James Carville, apostou que Bush não era invencível com o país em recessão e cunhou a frase que virou case de marketing eleitoral: “É a economia, estúpido!”
A 12 dias do segundo turno, os aspectos econômicos serão fundamentais, tanto para os que votarão em Aécio, quanto para os que pretendem reeleger Dilma.
Para os primeiros, a análise é conjuntural. O crescimento do PIB em 2014 chegará a 0,3%, se tanto. O superávit primário, mesmo com as mágicas contábeis, as pedaladas e as receitas extraordinárias, ficará perto de zero, se não for negativo. A inflação superou o teto da meta, alcançando 6,75% nos últimos 12 meses, apesar da Selic na casa dos 11% e do congelamento dos preços administrados. O Banco Central, que no começo do ano projetou em US$ 10 bilhões o superávit comercial, lamberá os beiços se o resultado atingir 25% do previsto. Dos 48.747 empreendimentos da segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento, apenas 15,8% estão concluídos, conforme dados oficiais de abril. Quase a metade das obras sequer saiu do papel a oito meses do fim do PAC 2.
Novo eventual rebaixamento do Brasil pelas agências de risco poderá ser a gota d’água para a chamada “tempestade perfeita", conjunção de diversos fatores negativos que tendem a agravar a crise econômica. No mercado financeiro, os que sempre tiveram receio do desconhecido, agora temem a continuidade.
Para muitos eleitores de Dilma, ainda que existam nuvens carregadas no horizonte, o importante é que — até agora — a chuva não caiu. A percepção econômica é pessoal. A taxa de desemprego beira 5%. O Bolsa Família atende a 14 milhões de beneficiários, abrangendo 56 milhões de pessoas. Cerca de um milhão de pescadores (haja pescador...) recebe a Bolsa Pesca, salário mínimo mensal por quatro ou cinco meses em que as espécies se reproduzem. Entre os esportistas, 6.715 recebem a Bolsa Atleta, inclusive os 157 da elite agraciados com a Bolsa Pódio, que pode chegar a R$ 15 mil. Muitos ainda são contratados pelas Forças Armadas e patrocinados por estatais.
Nos 39 ministérios e órgãos vinculados existem 97.048 ocupantes de cargos e funções de confiança/gratificações, dentre os quais 22.729 de Direção e Assessoramento Superior (DAS). O Minha Casa Minha Vida contemplou 1,5 milhão de novos proprietários. O Minha Casa Melhor já financiou milhares de móveis e eletrodomésticos. O crédito farto facilitou também as aquisições de automóveis, motos e outros bens de consumo. Os benefícios dos cinco milhões de aposentados, pensionistas, desempregados, idosos e deficientes foram reajustados com base no salário mínimo, em percentuais superiores à inflação, atenuando defasagem histórica.
Sem dúvida, há posições ideológicas em favor de ambos os concorrentes, mas certamente muitos votos são dos que temem perder as conquistas. O medo é explorado com terrorismo na propaganda eleitoral de Dilma, que tem 74% das intenções de votos entre os eleitores que recebem o Bolsa Família. Sob o prisma eleitoral, o dinheiro direto na veia é literalmente um prato cheio para a presidente - candidata.
É indiscutível o mérito dos governos Lula e Dilma na ampliação dos programas de transferência de renda e na política habitacional. Segundo as estatísticas, 22 milhões de brasileiros saíram da situação de miséria, superando os R$ 77 per capita/mês, o que, convenhamos, ainda é muito pouco. A má-fé consiste em não reconhecer heranças como a estabilidade da moeda, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o embrião das políticas sociais, bem como transformar políticas de Estado em favores partidários.
O problema é que a tempestade se aproxima. A inflação sobe, mesmo com a elevação da taxa de juros; as despesas crescem mais que as receitas; as famílias se endividaram e frearam o consumo; a dívida bruta aumentou e o superávit primário sumiu. A credibilidade das contas públicas está deteriorada e a corrupção — o lado podre da economia — atinge valores inimagináveis.
Em menos de duas semanas, conheceremos quem irá comandar o Brasil nos próximos quatro anos. Mais uma vez, os aspectos econômicos serão relevantes. O seu voto poderá ser decisivo. “É a economia, estúpido!”, diria Carville. Resta saber o quão “estúpidos” somos.
Gil Castello Branco é economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas
Minha história é semelhante à de milhares de outros brasileiros. Lutei contra a ditadura militar e pelas eleições diretas, aspirei muito gás lacrimogêneo, não fui preso por ter conseguido correr mais que meus perseguidores, mas não me livrei de ser brutalmente agredido pela tropa de choque da Polícia Militar durante manifestação pacífica na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Embora sem ter jamais me vinculado a qualquer partido político, para poder manter a liberdade e a responsabilidade por minhas escolhas, participei ativamente de movimentos políticos em defesa da cidadania e das campanhas que levaram o representante do Partido dos Trabalhadores ao poder.
Como milhares de outros brasileiros, senti-me traído pelo PT, que se desviou dos princípios de ética e de respeito à coisa pública que pregava quando partido de oposição e passou a considerar o poder, não como um meio para beneficiar o povo e a nação, mas como um fim em si mesmo. Para isto, o partido se transformou em uma organização criminosa que se apoderou de todas as instituições rentáveis do país e as deixou sob a influência de comparsas com o compromisso de delas tirar o que fosse possível para alimentar seu projeto de poder. E assim, as instituições que haviam escapado ao processo de privatização do governo anterior foram devidamente aparelhadas, dilapidadas e só não foram destruídas para não se perder a fonte de renda para a manutenção da corrupção.
O custo do projeto de poder do PT tem sido trágico para o país. Atualmente o Brasil, a sétima maior economia do mundo, está em 85º lugar no índice de desenvolvimento humano, é considerado um dos 35 piores países do mundo em educação, segundo estudo do Fórum Econômico Mundial, está em último lugar no ranking de eficiência de serviços de saúde entre os 48 países avaliados e é considerado o 18º país mais violento do mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, no período de janeiro de 2010 a julho de 2013, quase 13 mil leitos foram desativados na rede pública, apesar do aumento de demanda da população. A Diplomacia brasileira, uma das mais respeitadas do mundo no passado, hoje é motivo de chacota internacional por sua inexpressividade e subserviência ao alinhamento ideológico, enquanto que a chefe do estado brasileiro envergonha seu país ao expressar suas idéias obtusas e absurdas sobre política externa em fóruns internacionais. A Petrobrás, conquista de gerações de brasileiros e real motivo de nosso orgulho, foi transformada em balcão de negócios entre empresários corruptos e políticos corrompidos, sob o olhar benevolente dos petistas donos do poder.
Porém, pior que a destruição sistemática do Estado brasileiro e do descrédito progressivo em suas instituições, o legado mais perverso do petismo tem sido o de alimentar o vazio de valores positivos em que se encontra a sociedade brasileira e destruir a esperança em um futuro melhor. Nossas crianças e jovens estão crescendo embalados pelos exemplos de seus governantes e políticos de que o fim justifica os meios, especialmente se estes não forem descobertos. E mesmo quando as falcatruas são descobertas, sempre se encontram meios para a impunidade, e pouca importância se dá ao impacto sob a opinião pública porque se conta com o grau de anestesia do senso de honradez e de dignidade em que ela se encontra.
Precisamos reaprender a nos indignar. Precisamos restabelecer um sistema de valores positivos na sociedade brasileira. Precisamos reencontrar razões para nos orgulharmos de sermos brasileiros. Precisamos evitar que o petismo continue no poder: nosso país não resistirá a mais quatro anos de desatinos. Farei minha parte, mesmo que isto implique em votar no candidato do partido que eu antes combati.
Eduardo Tosta Médico, professor e brasileiro indignado.
Sinta-se à vontade para divulgar, caso ache que valha.