quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Horta na varanda? Veja os melhores suportes, formas de cultivo e espécies

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    O projeto de Eduardo Luppi tem dois painéis verticais, sendo o da direita, de temperos O projeto de Eduardo Luppi tem dois painéis verticais, sendo o da direita, de temperos

Basicamente, ter uma horta na varanda exige o plantio em vasos ou floreiras e isso significa menor enraizamento da raiz e maior evaporação da água, pois o sol e o calor aquecem as paredes  dos  recipientes.  Assim, dois cuidados são essenciais: regar mais as plantas e alocá-las em recipientes com espaço suficiente para o correto desenvolvimento de cada espécie. Porém, se o  morador  optar  por  vasos  pequenos, ele  deverá estar ciente de que deverá substituir o tempero ou verdura  com  maior  frequência. 

Barbara Gancia: Agressão a Mantega em hospital mostra que estamos passando dos limites

Oba! Agora já sei o que fazer da próxima vez que der de cara com o Paulo Salim Maluf trafegando alegremente ao volante do seu automóvel Bentley pelas ruas do Jardim Europa, ritual que ele costuma empreender com regularidade. 

Ou quando cruzar novamente com José Roberto Arruda, o primeiro governador condenado do Brasil. (Lembra dele, do mensalão do DEM, do vídeo em que aparece manipulando grana de propina?) 

Tempos atrás, fui comer uma feijoca de sábado num restaurante do meu bairro e topei com o figura. Falei bem alto para todo mundo ouvir: "Ué, o senhor não deveria estar preso?" Silêncio no recinto.

Virei-me para os outros comensais e cobrei: "Vocês vão ficar aí fingindo que este cidadão não está aqui?". 

A mesma sensação de cumplicidade silenciosa eu já havia experimentado décadas antes, ao ver uma fila de beija-mão postada à frente da mesa de Luiz Antonio Fleury Filho, o governador paulista "criatura" de Orestes Quércia, logo após malfeitos relacionados à sua administração virem à tona. 

Maluf, ainda e sempre ele, almoça no restaurante que bem entender nos Jardins sem problemas. Ao contrário. Abraçam-no, pedem-lhe autógrafo. 

Pois, que eu saiba, nenhum inquérito foi aberto até agora contra o ex-ministro Guido Mantega. Se dependesse de mim, claro, por conta da permissiva e temerária condução da política fiscal no primeiro mandato do governo Dilma, ele já teria sido confinado a uma existência solitária de infâmia e borrachudos em alguma ilhota da Guiana Francesa, tal e qual um Papillon ítalo-tapuia. 

Mas, que eu saiba, contrariamente aos outros supramencionados, que andam a correr livres feito bororós de bunda de fora antes do desembarque dos portugueses, Mantega não deve à Justiça. 

Bem, no último dia 19, frequentadores da lanchonete do saguão do hospital Albert Einstein hostilizaram frontalmente o ex-ministro e sua mulher, que estava no hospital tratando de um câncer –mas nem que estivesse lá para comprar bombons na loja da Kopenhagen do mezanino. 

Por que? Ora, porque estamos passando dos limites. Aquela gente que ali estava (há um vídeo mostrando o incidente) e que se pôs a gritar até conseguir expulsá-lo do local deveria saber que liberdade de expressão e ofensa/agressão/falta de respeito são coisas totalmente distintas. 

Liberdade de expressão não significa ter o direito adquirido de abrir o orifício de entuchar bolo para dizer qualquer sandice que dê na telha. 

Falar sem censura é um direito adquirido. É como habilitação para dirigir ou o direito de beber. Só pode ser usado por quem tem maturidade. 

E para obter bom senso, há primeiro de se receber educação, limites e aprender a respeitar o próximo. 

O fato de o ex-ministro ter errado (na minha modestíssima opinião) flagrantemente na condução da economia não confere a ninguém o direito de agredi-lo dentro de um local que exige paz e harmonia para seu melhor andamento. 

Caso contrário, daqui a pouco vamos estar questionando se vale ou não o bloco de Carnaval e o rolezinho no saguão do hospital. 

E essa conversa mole de que, se o ministro fosse coerente com sua ideologia, sua mulher deveria estar se tratando no SUS, é moleza de contra-argumentar. 

Quer ver? Por que o Maluf pode ir ao restaurante dos Jardins sem ser xingado e o Mantega não pode? Qual dos dois é procurado pela Interpol? Percebe? 

E por que será que os empresários e o mercado podem transacionar sem culpas com os Bokassas e Idi Amins da vida, declarar amor eterno ao Palocci, seduzir Saddam Hussein e depois matá-lo e assim por diante, mas Lula não pode gostar de um bom Château Pétrus?


sábado, 21 de fevereiro de 2015

O que o dono da UTC sabe é dinamite pura

SISMO - Preso há três meses, o engenheiro Ricardo Pessoa tenta conseguir um acordo de delação premiada com a Justiça para revelar o que sabe sobre o escândalo da Petrobras
SISMO - Preso há três meses, o engenheiro Ricardo Pessoa tenta conseguir um acordo de delação premiada com a Justiça para revelar o que sabe sobre o escândalo da Petrobras (Marcos Bezerra/Estadão Conteúdo)

Muito se discute sobre as motivações que um empreiteiro há três meses preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba teria para contar o que sabe — não por ter ouvido falar, mas por ter participado dos eventos que está pronto a levar ao conhecimento da Justiça. O engenheiro baiano Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, tem várias. A primeira, evidente, é não ser sentenciado pela acusação de montar um cartel de empreiteiras destinado a fraudar licitações na Petrobras, quando a festa pagã de que ele tomou parte na estatal foi organizada pelo PT, o partido do governo. A segunda, também óbvia, é atrair para o seu martírio o maior grupo de notáveis da política que ele sabe ter se beneficiado das propinas na Petrobras e, assim, juntos, ficarem maiores do que o abismo — salvando-se todos. A terceira, mais subjetiva, é, atormentado pela ideia de que tudo o que ele sabe venha a ficar escondido, deixar registrado para a posteridade o funcionamento do esquema de corrupção na Petrobras feito com fins eleitorais. Antes dono de um porte imponente e até ameaçador, Pessoa está magro e abatido. As acusações de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa que pesam sobre ele poderiam ser atenuadas caso pudesse contar, em delação premiada, quem na hierarquia política do país foi ora sócio, ora mentor dos avanços sobre os cofres da Petrobras.

“Vou pegar de noventa a 180 anos de prisão”, vem dizendo Ricardo Pessoa a quem consegue visitá-lo na carceragem. Foi com esse espírito que fez chegar a VEJA um resumo do que está pronto a revelar à Justiça caso seu pedido de delação premiada seja aceito. A negociação com os procuradores federais sobre isso não caminha. Pessoa reclama que os procuradores querem que ele fale de corrupção em outras estatais cuja realidade ele diz desconhecer por não ter negócios com elas. Já os procuradores desconfiam que Pessoa está sonegando informações úteis para a investigação. O impasse só favorece o governo, pois o que Pessoa tem a dizer coloca o Palácio do Planalto de pé na areia do mar de escândalos.     

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Boletim de Notícias > Blog Olhar de Coruja 19-02-15

PRINCIPAIS ASSUNTOS:

Aqui entre Nós com Augusto Nunes

Transmitido ao vivo em 11 de fev de 2015
Joice Hasselmann e Augusto Nunes debatem os principais fatos da semana no Aqui entre Nós.


Obra de mega-aquário no Ceará é paralisada a pedido de construtora

Uma das vitrines da gestão do ex-governador Cid Gomes (Pros) no Ceará, a construção do mega-aquário na praia de Iracema, em Fortaleza, foi paralisada por até dois meses.

A pedido da principal responsável pela obra, a empresa americana ICM Reynolds, o secretário de Turismo do Estado, Arialdo de Mello Pinto, determinou a interrupção das atividades nos canteiros.

A suspensão foi iniciada no último dia 6 e deve durar até o atual governo analisar queixas protocoladas pela companhia em dezembro, segundo Pinho, ex-chefe da Casa Civil de Gomes, cujo aliado Camilo Santana (PT) foi eleito como sucessor ao governo. 

"A empresa vem alegando que houve erros em medições e que não houve alguns pagamentos", afirma o titular da pasta. 

Ele, porém, não especifica quais os débitos e erros no projeto apontados pela empresa. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a ICM Reynolds. 


Reprodução
Maquete virtual do Acquario Ceará, projeto da gestão Cid Gomes, que deve ser inaugurado em 2014
Maquete virtual do Acquario Ceará, projeto da gestão Cid Gomes, que deve ser inaugurado em 2014
A construção do aquário foi iniciada em 2012 e tinha inauguração prevista para janeiro deste ano, mas o prazo atual para a abertura de portas ao público saltou para o segundo semestre de 2017. 

Atualmente, as obras estão orçadas em cerca de R$ 300 milhões –essa quantia não inclui um estacionamento, ainda sem preço estimado, e uma usina termelétrica exclusiva para alimentar o mega-aquário e que custará R$ 16,2 milhões no total. 

Segundo o portal de transparência do governo do Ceará, já foram pagos R$ 125 milhões às empresas contratadas, sendo R$ 89 milhões para a ICM Reynolds. 

Pinho diz que 65% da estrutura de concreto já está feita, obra que tem como principal responsável a CG Construções, empreiteira que afirma não ter paralisado as atividades. Segundo o secretário, os equipamentos do aquário estão 18% prontos. 

Cid Gomes defendia o projeto, chamado de Acquario Ceará, como meio de atrair turistas o ano inteiro no Estado e inserir Fortaleza "no mapa do mundo". 

"Estou lutando para fazer o aquário, não é pequena a resistência. Acho que é importante para colocar Fortaleza como cidade referencial para o mundo", disse o atual ministro da Educação em 2013, ao responder pergunta da Folha no programa "Roda Viva", da TV Cultura. 

O aquário de 21,5 mil m² e 38 tanques pretende ser o quarto maior do mundo, com 15 milhões de litros de água. 

O governo estima que a atração possa receber até 1,2 milhão de turistas por ano –número próximo ao 1,5 milhão de turistas que se registraram em hotéis em Fortaleza durante o ano de 2011. 

RESISTÊNCIA
 
O projeto é criticado desde o anúncio, em 2009. Em 2013, manifestantes acamparam no entorno dos canteiros para impedir o avanço da obra. 

No mesmo ano, a contratação da ICM Reynolds foi questionada pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público Estadual, por ter sido feita sem licitação. O governo argumentou que a empresa tinha "notória capacitação" para esse tipo de obra.

FOLHA

Reportagem sobre presídio ganha Grande Prêmio Folha

A série "Barbárie em Pedrinhas", que revelou a selvageria que dominava um complexo prisional do Maranhão, ganhou o Grande Prêmio Folha de 2014, concedido desde 1993 aos melhores trabalhos de profissionais deste jornal. 

A primeira reportagem, de Eduardo Scolese –hoje editor do caderno "Cotidiano"–, trouxe a público o vídeo que mostrava presos da penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, exibindo corpos de rivais decapitados num motim. 

Três dias após a primeira reportagem, a segurança no local não melhorou: a repórter Juliana Coissi e a repórter-fotográfica Marlene Bergamo entraram no complexo sem passar por nenhuma revista. Elas circularam livremente pelos pavilhões e registraram, com fotos tiradas de um celular, a precariedade da prisão. 

Um levantamento feito pelo jornal mostrou que o complexo de Pedrinhas respondeu, sozinho, por 28% dos homicídios de detentos nos presídios do Brasil em 2013. 

O júri que escolheu os vencedores desta edição foi integrado pela ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins, pelo diretor-executivo de Circulação e Marketing do jornal, Murilo Bussab, e pelos colunistas Juca Kfouri, Gregorio Duvivier e Leão Serva. 

EBOLA
 
O prêmio de melhor Reportagem foi concedido à série de reportagens "Epidemia de Ebola na África Ocidental": a repórter Patrícia Campos Mello e o repórter-fotográfico Avener Prado foram os únicos profissionais de mídia brasileiros a chegar a Serra Leoa, foco da epidemia. De lá, eles mostraram os fatores culturais que facilitavam o avanço do vírus, as deficiências na estrutura sanitária dos países e os estigmas que afetavam os sobreviventes da doença. 

O relato sobre as condições de vida na antiga Alemanha Oriental e na Polônia no aniversário dos 25 anos da Queda do Muro de Berlim, feito por Leandro Colon, foi premiado na categoria Especial. 

Daniel Marenco ganhou na categoria Foto com a imagem de policiais do Bope hasteando a bandeira brasileira na favela Vila Kennedy, no Rio de Janeiro, após um conflito com traficantes da comunidade vizinha, a Vila Aliança. 

Na categoria Arte, o trabalho vencedor foi "O que a Folha pensa", uma página dupla criada por Uirá Machado –editor de "Opinião"–, Fabio Marra, Catarina Bessel e Márcio Sampaio, que expôs os pontos de vista defendidos pelo jornal. No ano passado, o jornal lançou uma campanha para divulgar suas opiniões sobre temas polêmicos, mas ressaltou seu respeito pelos pontos de vista diferentes. 

A cobertura da derrota da seleção brasileira para a alemã por 7 a 1 na Copa foi considerada o melhor trabalho de Edição. A equipe foi liderada por Naief Haddad –editor do caderno "Esporte"–, Fabio Marra –editor de Arte–, Mateus Benato, José Benedito da Silva e Alan Gripp. 

A reportagem "Os melhores teatros", de Fabiana Seragusa e Rafael Balago, da revista "sãopaulo", ganhou na categoria Serviço com um levantamento sobre os 60 maiores teatros de São Paulo.

Editoria de Arte/Folhapress


FOLHA

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Jornalista revela o homem por trás das campanhas de Lula e Dilma

De Collor pra cá, o marketing político passou a exercer um papel cada vez mais valorizado em uma eleição. Odiado ou admirado, poucos duvidam de que o trabalho do marqueteiro funciona nas campanhas políticas. O eleitor, porém, nem sempre sabe quem são esses profissionais que agem nos bastidores da democracia. 

João Santana elegeu sete presidentes. Ainda assim, ele não era uma celebridade.

Perfil biográfico do homem por trás das campanhas de Lula e Dilma
Perfil biográfico do homem por trás das campanhas de Lula e Dilma

Em 2013, quando os protestos de julho tomaram as ruas, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho escreveu um perfil de Santana para a revista "Época". Maklouf o procurou para uma entrevista, mas acabou publicando um livro: "João Santana: Um Marqueteiro no Poder"

O volume reúne dezenas de entrevistas e produz um perfil biográfico do profissional que foi capaz de influenciar os rumos da República. O autor traz informações e levanta alguns episódios polêmicos, como a acusação do "uso profissional da baixaria" na última campanha presidencial. 

"O marketing de Aécio fez uma das campanhas presidenciais mais medíocres, do ponto de vista criativo e estratégico, que o Brasil já viu", disse Santana em uma das entrevistas a Maklouf. 

"Eles fugiram do debate por covardia ou por soberba", diz. "Passaram mais tempo se vitimizando do que contra-atacando ou propondo. Um vazio absurdo de ideias e de argumentos". 

Outras polêmicas
 
Em 2014, Fernando Meirelles, diretor de "Cidade de Deus", chamou o marqueteiro de "João Goebbels Santana", uma referência ao ministro da propaganda nazista. Santana move um processo contra o cineasta e quer reparação por danos morais. 

O jornalista Augusto Nunes, da revista "Veja", também se referiu a ele como "ministro da propaganda", mas omitiu o nome Goebbels. 

O pai de Santana foi prefeito da cidade de Tucano, na Bahia, pela Arena, partido aliado dos militares durante a ditadura. A cidade baiana foi influenciada pela Ação Integralista Brasileira, de ultradireita, e Plínio Salgado, líder do movimento, esteve lá. Uma das escolas do município leva o nome do integralista. 



Formado em direito, o paraense Luiz Maklouf Carvalho foi repórter dos jornais "Jornal do Brasil", "Jornal da Tarde", "O Estado de S. Paulo" e Folha de S.Paulo e das revistas "Piauí" e "Época". Ele recebeu dois Prêmios Jabuti de livro-reportagem por "Mulheres Que Foram à Luta Armada" e "Já Vi Este Filme". O autor também assina "O Coronel Rompe o Silêncio" e "Cobras Criadas"

UOL
 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Uma nuvem no meio do caminho

Astrônomos amadores descobriram estranhas nuvens em Marte, muito mais altas que as que costumam aparecer no planeta vermelho. Sua natureza até agora é desconhecida e intriga os cientistas.

Imagens revelam estranhas plumas a 250 km de altitude no planeta vermelho. Mistéééério.
Imagens revelam estranhas plumas a 250 km de altitude no planeta vermelho. Mistéééério.

O achado, publicado online ontem pela revista científica britânica “Nature”, mostra duas coisas importantes: uma é que os mistérios marcianos parecem não se esgotar nunca. Outra é que a astronomia amadora continua a ter um papel na linha de frente da ciência.

Marte é monitorado com atenção ao telescópio por centenas de anos. Contudo, ninguém havia visto nada parecido com o que diversos astrônomos amadores observaram em março de 2012. Eles notaram uma protuberância no limbo do planeta (a borda visível dele), algo como uma nuvem bem distante da superfície marciana.

O fenômeno só era perceptível desse ângulo. Não conseguiram notá-lo nem do outro lado do limbo, depois que o planeta dava meia volta em torno de si, nem quando a região sobre a qual a nuvem se projetava estava de frente para o telescópio — no caso, a área conhecida como Terra Cimmeria. Contudo, após uma volta completa do planeta, lá estava a nuvem novamente. Ela durou por vários dias, sumiu, e algo parecido voltou a ser observado em abril, durante outros dez dias.

EM BUSCA DE RESPOSTAS

Baseando-se nas observações feitas pelos amadores, a equipe de Agustin Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, em Bilbao, na Espanha, passou a investigar o caso. 

Escarafuncharam antigas imagens feitas em observatórios profissionais, assim como em sondas enviadas a Marte, mas não tiveram sucesso em ver outras instâncias do fenômeno — salvo numa sequência de imagens do Telescópio Espacial Hubble obtida em 17 de maio de 1997.

Pela análise das imagens das ocorrências de 2012, Sánchez-Lavega e seus colegas concluíram que as estranhas nuvens aparecem a uma altitude de 200 a 250 quilômetros e passam por mudanças que as fazem desaparecer conforme transitam pelo lado não-iluminado do planeta, para depois voltar a se formar sob a luz do Sol.

A altitude é completamente inesperada. Para que se tenha uma ideia, 250 km não é muito diferente da órbita adotada pela Estação Espacial Internacional (que em sua aproximação máxima da Terra fica a 330 km do chão). Os pesquisadores testaram diversos modelos baseados em partículas de gelo de dióxido de carbono ou de água, e eles poderiam explicar o fenômeno (poeira não faria o mesmo serviço). Alternativamente, poderíamos estar vendo algum fenômeno ligado a auroras — há uma anomalia magnética forte naquela região do planeta.

Contudo, ambas as explicações não casam com o que sabemos da atmosfera superior marciana. Algo está fora da ordem. Agora é hora de os cientistas quebrarem a cabeça para compreender o que estão vendo.

Talvez para alguns isso soe frustrante — depois de décadas de exploração na superfície e na órbita de Marte, ainda somos surpreendidos por fenômenos desconhecidos que podem ser vistos do quintal de casa com um telescópio. Onde fica a tão badalada competência científica nessa hora?

Para o Mensageiro Sideral, é justamente o contrário. A ciência não é só a busca por respostas. É também a busca por novas perguntas. No que diz respeito a Marte, estamos com sorte: acabamos de encontrar mais uma.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mudanças climáticas ameaçam segurança alimentar, alertam cientistas


São José, Estados Unidos, 16 Fev 2015 (AFP) - A aceleração das mudanças climáticas e seu impacto sobre a produção agrícola mundial exige que profundas mudanças sociais sejam implementadas nas próximas décadas para alimentar uma população mundial crescente, alertaram cientistas em uma conferência científica anual.

Segundo os cientistas, a produção alimentar terá que dobrar nos próximos 35 anos para alimentar uma população global de 9 bilhões de habitantes em 2050 contra os 7 bilhões atuais.

Alimentar o mundo "implicará algumas mudanças em termos de minimizar o fator climático", disse Jerry Hatfield, diretor do Laboratório Nacional para a Agricultura e o Meio Ambiente.

A volatilidade das chuvas, as secas frequentes e o aumento das temperaturas afetam as lavouras de grãos, razão pela qual será preciso adotar medidas, afirmou Hatfield neste domingo, durante a reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

"Se avaliarmos a produção de 2000 a 2050, basicamente teríamos que produzir a mesma quantidade de alimentos que produzimos nos últimos 500 anos", previu.

Mas, globalmente, os níveis de uso da terra e a produtividade continuarão degradando o solo, advertiu.

"No que diz respeito à projeção para o Meio Oeste (dos EUA), estamos convencidos de que as temperaturas aumentarão bastante", afirmou Kenneth Kunkel, climatologista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana, referindo-se à região de maior produção de grãos, situada no centro do país.

Kunkel estudou o impacto do aquecimento global no Meio Oeste americano, onde a maior ameaça para a segurança alimentar é a seca.

A possibilidade é alta que esta região sofra com a pior seca no século XXI entre as registradas no último milênio, representando uma ameaça direta para os moradores da região, alertaram cientistas nesta quinta-feira, na abertura da conferência, celebrada em San José, na Califórnia (oeste).

As mudanças climáticas estão ocorrendo tão rapidamente que os seres humanos enfrentarão em breve uma situação sem precedentes, afirmou Kunkel.

Mas James Gerber, especialista em agricultura da Universidade de Minnesota, disse que reduzir o desperdício de alimentos e o consumo de carne vermelha ajudaria.

A redução do número de cabeças de gado diminui o impacto ambiental, inclusive as emissões de metano, um poderoso gás de efeito estufa.

Gerber disse que os cientistas identificaram "tendências bastante preocupantes", como a diminuição global das reservas de grãos, que dão à sociedade uma importante rede de segurança.

O cientista também expressou sua preocupação sobre o fato de que a maioria da produção de grãos está concentrada em áreas vulneráveis ao aquecimento global. Gerber não descartou um uso maior de organismos geneticamente modificados como forma de aumentar a disponibilidade de alimentos.

Paul Ehrlich, presidente do Centro para a Conservação Biológica, da Universidade de Stanford, disse que o problema requer "uma real mudança social e cultural em todo o planeta".

"Se tivéssemos mil anos mais para resolvê-lo, estaria muito tranquilo, mas podemos ter 10 ou 20 anos" apenas, advertiu. 
UOL