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sábado, 12 de dezembro de 2015

SINATRA 100 ANOS

VEJA VÍDEO NO GLOBONEWS





De talento inigualável, cantor norte-americano, que faria cem anos, foi o artista mais generoso do século 20 e nos tornou melhores do que somos
RUY CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA


Frank Sinatra –1915-1997, 100 anos neste sábado e a eternidade pela frente– foi o artista mais generoso do século 20. Numa carreira que, em 82 anos de vida, estendeu-se por sete décadas e abraçou três gerações de adoradores, nenhum outro nos deu excelência, sensibilidade e beleza em tal quantidade: cerca de 2.000 canções gravadas em estúdio e outras tantas extraídas de suas apresentações no cinema e em rádio, televisão, boates, teatros e estádios. Mas não era só a quantidade. Se, ao chegar para uma gravação, Sinatra sentisse que a voz não corresponderia às suas exigências, dizia aos 50 músicos da orquestra: “Senhores, o gogó não está em forma hoje. Passem no caixa. Retomaremos amanhã”.

Mais até do que seu antecessor e ídolo Bing Crosby, Sinatra emprestou dignidade à música popular, estabelecendo padrões quase inalcançáveis de rigor. E fez isso trabalhando com ferramentas –o timbre, a afinação, o fôlego, o fraseado, o ritmo– à mercê de uma simples corrente de ar. Com elas, desde 1939, deu corpo a melodias e letras que nos tornaram mais adultos, mais sábios e mais atentos. Muitos compositores dessas canções –Cole Porter, Jerome Kern, Harold Arlen, Johnny Mercer, a dupla Rodgers & Hart– eram grandes antes de Sinatra aparecer. Mas teriam sido tão grandes sem ele?

A resposta é, decididamente, não. “I've Got You Under my Skin”, “Ol’ Man River”, “I've Got the World on a String”, “One For My Baby” e “The Lady Is a Tramp” já tinham sido cantadas por todo mundo –mas só garantiram a sua passagem para este e para os séculos seguintes depois que ele as gravou. Sinatra fez isso também com compositores que vieram depois e, em boa parte, se inspiraram nele para compor: Matt Dennis (“Angel Eyes”, “I Fall in Love Too Easily”), Jimmy Van Heusen (“All the Way”, “Call me Irresponsible”), Cy Coleman (“Why Try to Change me Now?”, “Witchcraft”) e até o nosso Tom Jobim –a primeira pessoa em quem Tom e Dolores Duran pensaram ao compor “Por Causa de Você”, em 1957, foi Sinatra. Só que, para eles, na época, era mais fácil o homem chegar à Lua –frase de Dolores– do que o inatingível Frank Sinatra gravar uma de suas composições.
Ao nos fazer acreditar que falava de si próprio em tantas canções, Sinatra estava nos dizendo quem éramos, o que sentíamos, o que devíamos fazer diante dos sentimentos de conquista ou perda do amor. Se você tem cerca de 40 anos, pergunte a seus avós –eles se conheceram, se beijaram e se casaram nos anos 1940 ao som de Sinatra cantando “I'll Never Smile Again” ou “The Song is You” nos velhos discos de 78 rpm. Ou pergunte a seus pais –eles fizeram o mesmo ao som dos grandes LPs de Sinatra nos anos 1960, como “Nice ‘n’ Easy” e “Sinatra and Strings”. E, neste exato momento, apesar de todo o ruído circundante, há uma nova geração descobrindo Sinatra e vivendo as mesmas emoções que milhões já experimentaram –ou você pensa que só os macróbios sustentam a inesgotável oferta de Sinatra nas prateleiras de CDs e nas mídias contemporâneas?

O fato de milhões terem se entregado à magia de Sinatra é ainda mais notável porque, apesar da clareza de sua emissão, em que até seus pontos e vírgulas podiam ser ouvidos, muitos desses fãs não tinham domínio do inglês para entender as letras que escutavam. Não fazia diferença –a música de sua voz já continha significado suficiente.

Notar que, a partir da segunda metade dos anos 1950, a gravação em alta fidelidade, os LPs de 12 polegadas e os novos amplificadores e caixas já faziam justiça a Sinatra e às monumentais orquestras que o acompanhavam –de Nelson Riddle, Gordon Jenkins, Billy May. Se se tratasse de uma festa numa casa particular ou de um baile num clube social, bastava pôr um desses LPs para tocar –“Songs for Swingin’ Lovers”, “Where Are You”, “Only the Lonely”. A mudança na temperatura do ambiente era perceptível –homens e mulheres sentiam-se instantaneamente mais sedutores, ninguém ficava indiferente. Na verdade, se a contribuição de Sinatra tiver de ser resumida numa frase, esta poderia ser: ele nos tornou melhores do que somos. Ao ouvi-lo, pelos três minutos de cada faixa, esquecemos momentaneamente a brutalidade do século 20 e a nossa própria brutalidade.

Ironicamente, a vida de Sinatra foi marcada pela brutalidade. A começar por seu nascimento em Hoboken, Nova Jersey, perto de Nova York, neste mesmo 12 de dezembro, há cem anos. Era um bebê de 6,1 kg tentando sair de uma mulher de 1,5 m de altura. O médico conseguiu arrancá-lo, mas o fórceps rasgou-lhe o pescoço, a face e uma orelha, deixando marcas que o acompanhariam para sempre e ele nunca tentou disfarçar. Sinatra veio à luz, mas não respirava. O médico o deu como morto e foi socorrer a mãe. Sua avó pegou-o pelos tornozelos, levou-o para o tanque e o pôs debaixo de uma torneira fria. Foi dessa maneira brutal que Frank conheceu a vida. E, nos anos seguintes, as lições continuariam. Hoboken tinha quarteirões delimitados entre italianos, irlandeses, negros e judeus. Uma etnia não podia passar pelo território das outras. Frank descobriu isso da pior maneira, apanhando, aprendendo a se defender e se impondo em todas elas. Foi duro, mas, sem isso, talvez ele não cantasse, nem representasse ou sequer fosse daquele jeito –um homem tão terno quanto vingativo, tão frágil quanto onipotente.

Tudo já foi contado. A esta altura, são quase mil livros publicados a seu respeito –alguns, destruidores, a maioria, admirativos, e muitos, sérios e consistentes. Apenas nos últimos anos, Sinatra foi estudado à luz de cada canção, da história da música popular, da evolução do show business, das memórias dos amigos, mordomos e ex-namoradas, e até dos arquivos do FBI. Sim, ele tinha relações com a Máfia –quase todos os cantores americanos tinham, principalmente os italianos– e foi sócio ou principal atração de vários de seus cassinos. Sim, ele agrediu fotógrafos –dois ou três no decorrer de 50 anos, contra os milhares a quem se submeteu sorrindo. E, sim, ele se cercava de gente violenta –Lady Di também.

É fácil bater em Sinatra. Mais difícil é louvá-lo por ter socorrido cantores, compositores e músicos no desvio, zerando suas dívidas, pagando suas contas em hospitais e sendo amigo até o fim. Ou por nunca ter negado uma frase de admiração por colegas, mesmo aqueles que pareciam disputar seu público –Tony Bennett, Dean Martin, Vic Damone, Buddy Greco, Steve Lawrence, Bobby Darin. Ou pela informação de que tantas mulheres que ele conquistou sentiram-se conquistadas por ele para sempre –inclusive Ava Gardner.
Se não houvesse o Sinatra da música popular e apenas o do cinema, este continuaria a ser um centenário digno de comemoração. Embora, como ator, ele desse sempre a deliciosa impressão de ser um cantor de férias, deixou filmes que muitos atores-atores gostariam de ter feito: “Um Dia em Nova York” (1949), “A um Passo da Eternidade” (1954), “Meu Ofício é Matar” (1954), “Corações Enamorados” (1955), “Eles e Elas” (1955), “O Homem do Braço de Ouro” (1955), “Alta Sociedade” (1956), “Chorei por Você” (1957), “Meus Dois Carinhos” (1957), “Deus Sabe Quanto Amei” (1958), “Can-Can” (1960) e, principalmente,“Sob o Domínio do Mal” (1962). É verdade que em nenhum desses ele fazia Shakespeare (nem ficaria bem em calças justas). Mas Sinatra não precisava exatamente representar –os personagens se grudavam à sua personalidade, como por um ímã, e se tornavam… Sinatra.

Poucos povos foram tão apaixonados por Sinatra quanto o brasileiro. O compositor Ronaldo Bôscoli, um dos maiores garanhões nacionais de que se tem notícia, dizia que gostava mais de Frank Sinatra do que de mulher. E, durante décadas, não conseguíamos disfarçar uma certa dor de cotovelo pelo fato de ele nunca vir cantar aqui –sua chegada vivia sendo anunciada e desmentida. Até que, certa noite de 1980, quando ninguém mais acreditava nessa possibilidade, ele cantou para 150 mil pessoas no Maracanã –eu era uma delas.

Mas, antes disso, outra coisa a meu ver mais importante já tinha acontecido: no dia 11 de fevereiro de 1969, em Los Angeles, Sinatra gravou “Por Causa de Você”, de Tom e Dolores Duran, em Los Angeles, com o título de “Don't Ever Go Away” –cinco meses e oito dias antes de o homem pisar na Lua.
GRANDES MOMENTOS
1. Cantando com Bill Henri em 1938
2. Cercado pelas fãs em 1943
3. Show em Nova York em 1945
4. Fazendo seu próprio programa de TY em 1951
5. Ganhando o Oscar de coadjuvante em 1954
6. Com Elvis Presley na TV, em 1960
7. Fazendo temporada de shows em Las Vegas, no hotel Sands, em 1964
8. Gravando com Tom Jobim em 1967
9. Cantando para o Maracanã lotado em 1981
10. Fazendo seu show em São Paulo, no Hotel Maksoud Plaza, em 1981
11. Comemorando 80 anos em 1995
GRANDES ÁLBUNS
12. “The Voice of Frank Sinatra” (1946)
13. “In the Wee Smal Hours” (1955)
14. “Songs for Swingin’ Lovers” (1956)
15. “A Swingin’ Affair!” (1957)
16. “Come Fly with Me” (1958)
17. “Frank Sinatra Sings for Only the Lonely” (1958)
18. “Come Dance with Me!” (1959)
19. “Nice ‘n’ Easy” (1960)
20. “I Remember Tommy” (1961)
21. “Come Swing with Me!” (1961)
22. “It Might as Well Be Swing” (1964)
23. “September of My Years” (1965)
24. “Strangers in the Night” (1966)
25. “Frank Sinatra at the Sands” (1966)
26. “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” (1967)
27. “Sinatra & Company” (1971)
28. “Ol’ Blue Eyes Is Back” (1973)
29. Sinatra-Jobim Sessions (1979)
30. “Trilogy: Past Present Future” (1980)
31. “L.A. Is My Lady” (1984)
32. “Duets 2” (1994)
33. “Live & Swingin’: The Ultimate Rat Poack Collection” (2003)

SINGLES NO TOPO DAS PARADAS
34. “Dolores” (1941) - Gravada com The Pied Pipers
35. “In the Blue of Evening” (1942)
36. “There Are Such Things” (1942) - Gravada com The Pied Pipers
37. “Oh! What It Seemed to Be (1946)
38. “Five Minutes More” (1946)
39. “Mam'selle” (1947)
40. “Three Coins in th Fountain” (1954)
41. “Learnin’ the Blues” (1955)
42. “Strangers in the Night” (1966)
43. “Somethin’ Stupid” (1967) - Gravada com Nancy Sinatra

OS CASAMENTOS
44. Nancy Barbato (1939-1951)
45. Ava Gardner (1951-1957)
46. Mia Farrow (1966-1968)
47. Barbara Marx (1976-1998)
AS AMANTES
48. Marilyn Maxwell
49. Jill Corey
50. Lana Turner
51. Lauren Bacall
52. Juliet Prowse
OS FILHOS
53. Nancy Sinatra
54. Frank Sinatra Jr.
55. Tina Sinatra
56. Ronan Farrow
GRANDES AMIGOS
57. Humphrey Bogart
58. Dean Martin
59. Sammy Davis Jr.
60. Peter Lawford
61. Joey Bishop
OS MELHORES FILMES
62. “Marujos do Amor” (1945)
63. “A Bela Ditadora” (1949)
64. “Um Dia em Nova York” (1949)
65. “A um Passo da Eternidade” (1953)
66. “Eles e Elas” (1955)
67. “O Homem do Braço de Ouro” (1955)
68. “Alta Sociedade” (1956)
69. “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956)
70. “Meus Dois Carinhos” (1957)
71. “Onze Homens e um Segredo” (1960)
72. “Sob o Domínio do Mal” (1962)
73. “Robin Hood de Chicago” (1964)
74. “O Expresso de Von Ryan” (1965)
75. “A Mulher de Pedra” (1968)

NO OSCAR
76. Melhor ator coadjuvante - “A um Passo da Eternidade” (1953)
77. Prêmio Honorário - “The House I Live In” (1946)
78. Prêmio Humanitário Jean Hersholt - 1970
79. Indicação: Melhor Ator - “O Homem do Braço de Ouro” (1955)
80. Melhor canção - “Three Coins in the Foutain” (1954)
81. Melhor canção - “All the Way” (1957)
82. Melhor canção - “High Hopes” (1959)
83. Indicação: Melhor Canção - “I Couldn't Sleep a Wink Last Night” (1943)
84. Indicação: Melhor Canção - “I Fall in Love Too Easy” (1945)
85. Indicação: Melhor Canção - ”(Love Is) The Tender Trap” (1955)
86. Indicação: Melhor Canção - “My Kind of Town” (1964)
BEIJOS NAS TELAS
87. Gina Lollobrigida, em “Quando Explodem as Paixões” (1959)
88. Grace Kelly, em “Alta Sociedade” (1956)
89. Kim Novak, em “Meus Dois Carinhos” (1957)
90. Raquel Welch, em “Lady in Cement” (1968)
91. Rita Hayworth, em “Meus Dois Carinhos” (1957)
COM QUEM GRAVOU
92. Tom Jobim
93. Count Basie
94. Bing Crosby
95. Dean Martin
96. Sammy Davis Jr.
97. Harry James
98. Tommy Dorsey
99. Duke Ellington 100. Nancy Sinatra


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domingo, 6 de dezembro de 2015

Mostra no CineSesc exibe 52 filmes nacionais produzidos no último ano

04/12/2015 - 02h00


DE SÃO PAULO 

Tradicional no circuito cinematográfico de São Paulo, a Retrospectiva do Cinema Brasileiro, mostra que tem o CineSesc como palco, chega à 16ª edição. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Porchat no Amaury Jr. Show

'A vida de solteiro me abriu mais tempo para trabalhar', diz Porchat

Humorista fala sobre sua carreira como ator e conta como foi a vida de casado. "Me separei mas deu tudo certo. Continuamos amigos"

UOL
 

domingo, 19 de julho de 2015

Ainda minoria, mulheres ganham força por trás das câmeras da TV

  • Montagem UOL
    Denise Saraceni, Lilian Amarante, Amora Mautner e Júlia Jordão: diretoras têm se destacado na TV brasileira Denise Saraceni, Lilian Amarante, Amora Mautner e Júlia Jordão: diretoras têm se destacado na TV brasileira
 No Brasil e no mundo, mulheres fortes têm ganhado espaço como personagens centrais de várias séries e novelas, como "Game of Thrones", "Mad Men" e "I Love Paraisópolis". E nos bastidores, também, apesar de o meio ser tido sempre como muito masculino.

Não vá ao sem consultar o Cineinsite


Veja os filmes em cartaz no

Cineinsite



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

'Annabelle' se torna o filme de horror mais visto no Brasil

GUILHERME GENESTRETI

 
"Não sabia nem quem era, mas tinha gente o dia todo atrás da roupa dessa tal de Annabelle", diz a vendedora Raquel da Silva, encostada no balcão de uma loja de fantasias da região da 25 de Março, área de comércio popular na região central de São Paulo. 

As lojas não tinham os tais trajes, mas improvisavam para quem queria se vestir da boneca possuída para o Dia das Bruxas: camisola branca, peruca com tranças loiras e maquiagem custavam R$ 106,50. 

A busca ensandecida pela fantasia é a ponta do fenômeno "Annabelle". Em menos de um mês, o filme se tornou o terror mais visto da história recente no Brasil, segundo o Filme B, portal que coleta números do mercado há 14 anos. 

A produção, que já levou 3 milhões de brasileiros às salas de cinema, é prólogo de "Invocação do Mal" (2013). 

Ambientado nos anos 1960, "Annabelle" conta a história de uma mulher que recebe do marido uma boneca de tranças e vestido branco. Aparentemente inofensiva, ela contém o espírito da integrante de um culto satânico e passa a atormentar o casal e a filha recém-nascida. 


Divulgação
John (Ward Horton) e Mia (Annabelle Wallis), em cena do filme "Annabelle"
John (Ward Horton) e Mia (Annabelle Wallis), em cena do filme "Annabelle"

No site Rotten Tomatoes, que reúne críticas de filmes do mundo inteiro, o longa ganhou 30% de aprovação. "Tem seus momentos aflitivos, mas eles são superados pela nítida estupidez e previsibilidade do roteiro", escreveu Michael O'Sullivan, do "Washington Post". 

O diretor é John R. Leonetti, que fez a carreira na direção de fotografia em filmes como "O Escorpião Rei" (2002) e "Piranha 3D" (2010). 

"Annabelle" é o 15º filme de horror mais visto da história no mundo, segundo o banco de dados Box Office Mojo –feito e tanto para uma produção que custou só US$ 6,7 milhões (R$ 16,8 milhões). 

O fenômeno espantou até os estúdios. "Há algo naquela boneca", afirmou à revista "Variety" Jeff Goldstein, vice-presidente executivo da área de distribuição doméstica da Warner. "É um incrível retorno do investimento", disse ele, que notou sucesso particular do longa em países latino. 

Nem a estreia de "Tim Maia", uma das apostas nacionais do ano, desbancou o filme da boneca, ficando em terceiro lugar no circuito, atrás de "Annabelle". "Drácula: A História Nunca Contada" é o atual líder de público no país.
 
SILVIO SANTOS

Para Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, o sucesso inesperado no país pode ter um dedo de Silvio Santos. No domingo anterior à estreia (5/10), o apresentador emplacou um vídeo de pegadinha com a boneca, que teve mais de 8 milhões de visualizações na internet. A ação foi feita em parceria com a Warner Bros.

"Funcionou bastante, principalmente porque a nova classe média é uma base de sustentação muito forte das bilheterias", afirma Almeida. 

No domingo do segundo turno (26/10), o termo "AnnabellePresidenta" figurou como sétimo assunto mais comentado do Twitter no país. 

"Annabelle" também causou um furor curioso no sul da França, mas não pelos sustos. Cinemas de Marselha e Montpellier chegaram a tirar o filme de cartaz após bandos de adolescentes vandalizarem as salas nas sessões. 

E ainda neste ano tem outro terror com brinquedo possuído: estreia em 4/12 "Ouija: O Jogo dos Espíritos", sobre um tabuleiro endemoniado.
 
BRUXAS, FANTASMAS E DEMÔNIOS
O público de filmes recentes de horror no Brasil
1,12 milhão
Assistiu ao sumiço de três jovens na floresta em "A Bruxa de Blair" (1999)
1,01 milhão
Foi atraído pela presença sobrenatural de "Atividade Paranormal" (2007)
1,6 milhão
Ficou vidrado na história de uma fita misteriosa em "O Chamado" (2002)
1,6 milhão
Viu as outras diabruras da boneca Annabelle em "Invocação do Mal" (2013)
1,7 milhão
Conferiu os sustos da atriz Nicole Kidman em "Os Outros" (2001)
3 milhões
Foram ao cinema até agora assistir a "Annabelle" (2014)
ANNABELLE DIREÇÃO John R. Leonetti ELENCO Annabelle Wallis, Ward Horton, Tony Amendola PRODUÇÃO EUA, 2014, 14 anos

A 'Michael Moore' dos trópicos

A dona de casa Mary Canitto, 78, teve seus dias de Michael Moore. A exemplo do documentarista que colocava seu boné e empunhava um megafone para tentar entrevistar figurões avessos a questões incômodas nos Estados Unidos, a aposentada de São Bernardo do Campo (SP) fez o mesmo como protagonista do documentário "Saúde S.A.". 

Como em "Roger & Me", filme que narra a aventura de Moore para entrar em contato com o presidente da General Motors, a seguidora brasileira de Moore ficou no encalço do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do dono da rede de farmácias Ultrafarma, Sidney Oliveira. 

"Eu deixava meu marido na cama e saía para filmar, pensando em melhorar a saúde no país", conta. O documentário mostra as andanças de "Mary Moore", entre abril e setembro de 2013, para cuidar do marido, vítima de um AVC, e da filha, que se tratava de um câncer no ovário. 

Ao contrário do americano, famoso por entrevistas de confronto com câmeras ligadas e microfone em punho, o estilo da Moore brazuca é quase maternal. "Eu sei que o senhor é uma boa pessoa... Queria saber se anda bem de saúde", pergunta ela a Padilha.

Dadas as circunstâncias do encontro na portaria do ministério, em Brasília, nada de questões incômodas. 

Em vez de inquirir a maior autoridade de saúde do país sobre "home care" para pacientes como o seu marido –debilitado havia dois anos e meio por causa de um derrame–, dona Mary demonstrou preocupação com o ministro. "Eu sei que quando a pessoa viaja não consegue se alimentar direito", prosseguiu ela, numa das cenas mais tocantes do documentário. 

"Pra falar a verdade, eu tenho até vergonha", diz a aposentada. "Minha filha viu o ministro saindo de carro e foi atrás dele correndo. Ele voltou pra falar comigo, mas não me deu muita bola." De saída para um compromisso, Padilha a encaminhou para a sua chefia de gabinete. 

BONECO DE PAPELÃO

Menos sorte Mary Moore teve com o dono da Ultrafarma. Ele agendou entrevista em que seria indagado sobre o mercado da saúde e preços de medicamentos, mas desmarcou em cima da hora. 

Como não atendeu aos insistentes pedidos, Mary passou a andar com um boneco de papelão em tamanho real dele, na linha adotada pelo Moore original. Procurado pela Folha, o empresário não quis se manifestar. 

As cenas são um dos ponto de discórdia entre os diretores, Newton Canitto e Eduardo Benain, idealizadores do documentário, e a produtora Origami Cultural. Os produtores aprovaram junto ao Ministério da Cultura uma versão na qual personagens polêmicos foram desfocados ou cortados. 

Programada para o Festival de Cinema de Paraty no último fim de semana, a versão dos diretores, sem cortes, não foi exibida devido a uma notificação judicial atendendo a pedido dos produtores.

"Eles querem lançar uma versão clandestina do filme", defende-se a produtora Edina Fijii, que teme processos. A página da personagem Mary Moore também foi retirada do Facebook, para tristeza da personagem de carne osso que estava adorando virar celebridade nas redes sociais. 

A reportagem assistiu à versão sem cortes, que passeia mais pelos dramas privados do que pelo debate da mercantilização da saúde no Brasil, proposta inicial do projeto.

"Assumimos na tela o nosso fracasso em fazer um filme político. Não conseguimos entrevistar ninguém dos grandes laboratórios nem de planos de saúde ou autoridades para discutir o tema", conta Eduardo. 

O roteiro original, que seguia uma linha sociológica, foi abandonado, cedendo lugar ao confessional. É quando as câmeras se voltaram para o sobrado dos Canitto no ABC paulista.
 
DESPEDIDA DO PAI

Além de dirigir a mãe, Newton, que é do time de roteiristas da Rede Globo e foi secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, acabou registrando a despedida do pai.

Athenoges Canitto morreu em outubro de 2013, pouco depois das filmagens. 

"O filme é dedicado a ele", conta o diretor de 40 anos. "Filmar a minha família doente foi uma espécie de terapia. O filme é muito pessoal", completa Newton. 

Em uma das cenas finais do documentário, seu Athenoges se despede dos familiares com uma frase do astrônomo Carl Sagan. "Nós somos energia e somos para sempre. Sigam seus sonhos." 

Dona Mary agora milita pelo lançamento de sua primeira incursão cinematográfica. "Não tem nada de mais no filme. Assistir ao documentário me deixa mais alegre", diz ela, que fez exibições caseiras para os parentes. "É bom as outras pessoas também poderem ver que a vida é assim.

Coisas boas e ruins vão e vêm. Eu tive muita força." 

Lourdes, sua filha mais velha, também. Aos 45 anos, ela se viu coadjuvante do filme do irmão. "Papai ficou doente e eu era muito apegada a ele. Um ano depois, senti um inchaço e fui fazer exames. O cisto no ovário era câncer." 

Levou três meses para conseguir ser operada. "Estava trocando de emprego e o meu antigo convênio queria me chutar. Entrei com mandado de segurança para consegui ser operada." 

Participar do documentário foi uma "catarse". "Saí do foco da doença. Não somos só nós. São problemáticas de saúde, que a população lida todos os dias." Deixou-se filmar raspando a cabeça, quando os cabelos começaram a cair pós-quimioterapia. 

"Por que isso não pode ser mostrado no cinema?", pergunta dona Mary, em seu momento Michael Moore, já no fim da entrevista. 

Logo em seguida, no entanto, ela volta à pele da mãezona. "Bastante saúde e coisas boas pra você", despede-se. Como fez com o ministro e como teria feito, provavelmente, com Sidney Oliveira se tivesse sido recebida. Saúde para todos nós, dona Mary.